Capítulo Décimo Quinto – O Tomate vai à praia

Caros Cidadãos,

     A Europa está uma desgraça, a Grécia a falir, a Doutora Maria Barroso morreu, o Casillas está no Porto, ao que parece a Sara Carbonero não quer ir para lá, a Guerra dos Tronos só volta para o ano, e mesmo assim não tenho grandes ideias para o tema desta semana. E é por esta razão que vou falar sobre o verão em geral, e sobre os diferentes tipos de pessoas na praia em particular.

     Com esta subida de temperatura é um regalo sair à rua, sinto-me num programa do BBC Vida Selvagem. Existe uma variedade de espécies à solta, não só no mais comum passeio ou rua, mas sobretudo nas praias. Quando se chega ao local escolhido para se passar uma agradável tarde de domingo, besuntado de protetor solar e esperançoso que esteja um tempo favorável a isso, existem vários contratempos que se encontram no nosso caminho.

Dificuldade em chegar à praia

     Não sei se é mal comum, mas parece que toda a gente vai para a mesma praia que eu. Pior! Parece que cada elemento da família levou o seu próprio carro. Seja na fila para chegar ao parque de estacionamento, seja no parque de estacionamento propriamente dito. Depois de se chegar à praia, por vezes, fica-se com a ideia que as pessoas foram estacionar lá de propósito e foram fazer uma caminhada de vinte quilómetros em direção a algum restaurante.

Dificuldade em arranjar local para a toalha

     Depois da tarefa hercúlea de estacionamento do carro, segue-se o estacionamento da toalha. Claro que esta tarefa vai sendo dificultada com o avançar da hora. E com este avançar da hora quero dizer que a partir das onze, horinha do cancro, já não existe espaço para toalhas. Não existe por diversas razões. Entre famílias inteiras com direito a para-ventos, guarda-sóis, arcas frigoríficas, fogareiros ou Boeings 747, ou os saradões da praia, saídos da última edição da casa dos segredos, a jogar o seu futevólei ou lá o que é aquilo, com o campo marcado no chão. Ai de quem poise uma toalhinha naquele espaço, leva logo uma bolada nas trombas. Quando não é uma bolada é um guarda-sol, porque alguém não conseguiu enterrar (ou enarear se é que isso existe) aquela porcaria devidamente.

Espécies Raras

     Esperava eu que fossem raras, mas nestes dias nem são tanto quanto desejado. Existem vários tipos de pessoas que frequentam as nossas praias e eu vou tentar elaborar uma lista. Preparem-se para me acusar de body shaming, bullying ou de ser antiquado, mas neste momento já estou muito embrenhado nesta descrição.

     Já vos falei dos saradões, com os seus corpos esculturados, calções como cuecas ou sungas como fio dental, exibem os seus abdominais, peitorais ou pernas. Trabalharam para aquilo o ano todo, há que mostrar. Quando se levantam da toalha fazem umas dez ou vinte flexões, e vão até à água sem respirar, só para andarem bombados. Não se esqueçam da tatuagem, a rica da tatuagem.

     E eles impressionam quem? A bela da menina saradona, aquela que exibe os seus enormes glúteos que teimam em comer o bikini que compraram dois números abaixo. Também ela se candidatou à última casa dos segredos, mas como ainda não tinha faturado um número considerável de celebridades não foi aceite.

     Depois há o reverso da medalha, os que não trabalharam o seu escultural corpo. Ou melhor, trabalharam tanto que inchou. Quem nunca viu um senhor com os seus cem quilos, respectivo colete de pelo e a bela da cueca do speedo a condizer? Ou a menina dos cento e vinte com a mesma cueca engolida pelo enorme traseiro? Mas ninguém lhe diz nada, ou porque não tem amigos sinceros ou porque podem ser acusados de ser muito conservadores.

As crianças

     O maior flagelo das nossas praias. Podíamos ter tubarões, salmonelas, piranhas ou caranguejos assassinos mas não, temos crianças! Não estou a falar das crianças muito calminhas a fazer o seu castelo na areia, estou a falar daquelas que não param de correr, atiram areia para cima das pessoas e não param de berrar. Nem todos os tubarões matam gente, mas há uns que estragam a fama de todos. E ai de quem diga alguma coisa aos meninos, porque eles são o melhor do mundo e a infância é para ser vivida. Claro que é, mas os pais quando os levarem para a praia que lhes comprem uma Nintendo para eles se entreterem e não chatearem ninguém.

Ir à água

     Sabe sempre bem ir à água num longo dia de verão em que se apanha sol. Mas a água nunca está boa. Ou muito fria, ou muito quente, ou muitas ondas, ou muito calma, muitas rochas, poucas rochas, muitas algas, poucas algas (nunca ouvi ninguém queixar-se da falta de algas, mas fica aqui por motivos de escárnio). Há sempre alguém que se queixa e que aquela praia na cochichina é que era espetacular. Claro que ele podia ter avisado mais cedo, mas não queria uma tamanha responsabilidade.

O retorno a casa

     Se forem de manhã e conseguirem arranjar lugar facilmente, provavelmente na hora de voltarem ao carro têm um vermelhão e cancro da pele em quatro locais distintos do corpo. Caminhar descalço na areia a fervilhar é outro tormento. Não bastavam os cancros nas costas, ainda se arranjam queimaduras de terceiro grau na sola dos pés. Mas escusado será dizer que as pessoas que foram almoçar ao tal restaurante a vinte quilómetros também têm de voltar a casa, portanto preparem-se para mais uma longa fila de espera. À espera no vosso rico carrinho, que deve estar a quarenta graus, com um escaldão nas costas e com areia dentro dos calções.

Ai que ir à praia é uma experiência enriquecedora!

Tomate do Bárrio

Ó Tomate, tu deves ser muito estranho na praia.

Provavelmente sim, esta lista implicou muita observação, por isso eu devia parecer as pessoas assustadoras que olham para tudo e todos, outra categoria.

Anúncios

Capítulo Décimo Quarto – Obama Super Star e a desilusão de uma família

Irmãos Tomateiros,

     Lembram-se de vos ter dito que haveriam semanas em que tudo acontecia? Pois aqui está o melhor exemplo disso mesmo. Entre gatos queimados, atentados, quedas de ex-primeiras damas e cantorias presidenciais, a semana foi uma montanha russa de casos. Foi difícil escolher o caminho, mas depois de escolhido não há volta a dar. Não me vou alongar sobre queimas de gatos, apenas digo isto:

À e tal, se for o Estado Islâmico a prender pessoas em jaulas e ver o que acontece, é terrorismo e eles são muito maus e é preciso fazer alguma coisa, se for em Vila Flor já é tradição e não tem mal.

     Avançando para outros massacres, no dia dezassete de junho o “menino” Dylann Roof entrou numa igreja na Carolina do Sul e desatou a matar gente. Ao contrário dos atentados apelidados de terrorismo, este não foi nem por questões religiosas nem organizado pelo ISIS, Al-Qaeda ou outra organização deste género. Este atentado foi executado numa igreja maioritariamente frequentada por negros, por uma pessoa norte americana de vinte anos, que tinha a intenção de iniciar uma “guerra racial”. Ora bem, sem querer ser preconceituoso, já que é daqui que estes males vêm todos, este rapaz devia ser um daqueles rednecks típicos do Texas, com uma carrinha de caixa aberta e que tem relações sexuais com ovelhas. Mas agora se olharmos para as consequências disso, este moço passou a ser a desgraça da família Roof. Este jovem estragou a típica vida deste tipo de pessoas, o que só me faz lembrar os ataques do Charlie Hebdo, e já passo a explicar.

     Em Paris, os atentados tiveram base religiosa já que eles caricaturavam Maomé. Depois da morte de muita gente naquele edifício decidiu-se que a edição seguinte voltaria a ter o Maomé na capa, um claro “não cedemos ao que querem fazer”. Para além disto, tornou-se mais difícil “fazer terrorismo”, com o aperto da segurança na Europa. Nos EUA para além de não ter sido iniciada uma guerra racial, muito pelo contrário, vão proceder a revisão da lei das armas. Para além disto, o Mr. Obama ainda canta o Amazing Grace durante as cerimónias de homenagem às vítimas. Para quem não sabe, o Obama é negro e isso deve fazer comichão àquela gente toda. E só para finalizar o K.O. dos conservadores todos, as bandeiras confederativas passaram a ser tabu, graças a deus nosso senhor bendito. E a melhor de todas, casamento homossexual legalizado em todos os estados, sem recorrer a referendos ou lá o que se faz naquelas bandas, pleno direito assim do nada. Well done America! A familía do Dy deve estar orgulhosa do despoletar de acontecimentos que a rebeldia do filho originou. Acho que se proibissem as relações com ovelhas e primas nos estados deste género aquela gente avançava para a independência, não aguentavam mais restrições à sua pacata vida.

     Mas aqui em Portugal não há gente assim, pensam vocês. Eu também achava que não, até ver alguém ligar para um programa televisivo para comentar os incidentes entre a polícia e os adeptos do Benfica. A pergunta da senhora é, e passo a citar, “porque não batem em pretos e ciganos?” A cara da jornalista diz tudo e com isto me despeço.

P.S. – Em vez do Obama pensem no Cavaco a cantar o Hosana nas Alturas

Tomate do Bárrio

Capítulo Décimo Terceiro – A vantagem dos Tomates

Caros Tomateiros Veraneantes,

     Parece ironia do destino que depois de um último dia de primavera abrasador, o primeiro de verão seja uma valente bosta. Tenho pena de quem foi para a praia, os meus mais sinceros pêsames.

     Eu prometi que esta semana falaria de javardice, e as promessas são para cumprir (inserir nome de político para piada fácil). Como tal, hoje o tema passará pelas vantagens de ter um valente par deles, um valente par de tomates, corrones, testículos, miminhos de boi, saco, e outra palavra que rima com colchões, mas eu não escrevo palavras feias.

     Ao que parece, e os últimos tempos têm sido muito férteis neste ponto, nascer com um pénis branco, e respetivos tomates, é sinónimo de ser o pior ser vivo possível à face da Terra. Todos nós somos culpados de tudo o que se passa no mundo; sexismo, racismo, xenofobia, Faixa de Gaza, aquecimento global e bomba de Hiroshima. Temos todos os males do mundo guardados por entre as pernas, e não se pode falar em vantagens sem antes falar das desvantagens. Assim sendo, aqui vai:

                – Somos preguiçosos

                    Não existe uma expressão como “coçar a vulva”, mas “coçar a tomateira” é “perfeitamente aceitável” (mais uma vez, utilizem esta expressão entre amigos e não em primeiros encontros/entrevistas de emprego). Aliás, se algum homem se atrevesse sequer a proferir tais palavras, a mundo caía e o mais certo era ser castigado. Um prémio Nobel foi despedido da Universidade porque disse que as mulheres choravam. Não posso garantir, mas se uma cientista dissesse numa conferência que os homens trabalham menos porque coçam os tomates, não me parece que houvesse convulsão no Twitter.

                – O tamanho do pénis é importante

                 Toda a gente sabe, ou pelo menos é o que se diz, que o tamanho importa. A priori, o tamanho do pénis é previsível olhando apenas para a cor da pessoa. Pessoas africanas têm pénis grandes, pessoas asiáticas têm pénis pequenos, e os tomates são proporcionais. Pois é, estão todos a acenar com a cabeça em tom de afirmação, e sem se aperceberem podem ser acusados de racismo, por asiáticos. Esta coisa da cor e tamanho de pénis pode ser uma explicação para os mitras fazerem solário. A criação de uma nova cor de pele, o cor de laranja, levanta dúvidas sobre o atributo do individuo e poderá funcionar como convite a uma aventura no vale das laranjas.

                – Pagamos em tudo quanto é beco, e nunca é barato

          Não há muito a dizer sobre este assunto, as mulheres são o motor do mundo.

     Existem muitas mais desvantagens, levar um pontapé nos tomates é agoniante por exemplo, mas vocês são pessoas com horários apertados e não têm tomates para enfrentar o vosso chefe no facebook.

     Quanto a vantagens, estas são incontáveis. O facto de se nascer homem já é uma enorme vantagem, se ainda por cima nascemos brancos saiu-nos a lotaria. O mundo não é difícil para nós, tudo nos é dado e em bandeja de prata. Com esta bandeja vêm várias condições de vida que não estão ao alcance de quem tem pombinha.

                – Podemos urinar em qualquer esquina

                Quem nunca teve de mudar a água às azeitonas atrás de um carro ou na esquina de um qualquer café que atire a primeira pedra. Pombinhas, acredito que algumas atirem pedras, mas nem todas o poderão fazer. A diferença é que nós temos uma mangueira que facilita acesso exterior. Se forem asiáticos tratar-se-á de uma bisnaga. E se falarem de tamanho de filas de casa de banho, no caso dos tomates, se eles estiverem acompanhados por alguma pomba, a vantagem passará a ser desvantagem, dado que terá de esperar cerca de 45min por ela.

                – Arrotar e largar bufas em público é “aceitável”

               Talvez aceitável não seja um grande termo para este assunto, mas se um homem largar uma bufa pode sempre disfarçar com um sorriso e um “é pah, a morcela estava estragada, tenho de ir ao médico”. Não existe hipótese disto ficar bem na boca duma pombinha.

                – Incentivo à criatividade

                Esta é para as pombinhas que me lêem, se tivessem uma bolsa com fruta por entre as pernas e não a quisessem amarrotar, como fariam? Os homens vivem com este dilema todos os dias, a toda a hora. E mesmo assim o coçar do tomate é olhado com desdém e até algum repúdio. São necessárias técnicas para aprimorar o toque tomatal sem dar nas vistas, e alguns homens são mestres nessa arte, outros acham que jogar bilhar de bolso é aceitável.

     Só para vos mostrar a maior vantagem em ter tomates, deixo-vos um pequeno vídeo de sensibilização para o cancro testicular, e a cara de dor na depilação a cera dessa zona. A dor de parto deve ser comparável.

Tomate do Bárrio

Ó Tomate, não consegui perceber o que o Tomate tatuado da imagem tem no quadro.

É um saco testicular que dá luz nas bicicletas, porque andar com eles pendurados perto duma roda é a forma mais segura de locomoção

Capítulo Décimo Segundo – O Separatismo em Português

Como é que é malta da pesada? Sejam bem-vindos.

     Depois de um post sobre pombinhas só havia um caminho a tomar, e eu optei por não ir por ele. Hoje vou falar-vos de separatistas. Mas daqueles à séria, separatistas portugueses, revolucionários e inconformados.

     Antes de me virar para os portugueses vou enquadrar o “mundo separatista”. O separatismo é um conjunto de ideias nacionalistas que têm que ver com a reivindicação dos direitos nacionais de um povo sem Estado face a um estado-maior. Por norma, esta é uma denominação pejorativa.

     A nível europeu, existem grandes nomes como a Catalunha, País Basco, Galiza, Córsega, Irlanda do Norte, e com maior impacto nos últimos tempos, a Escócia. Estas são regiões com reais ambições e que podem, eventualmente, vir a tornar-se um país, com todas as consequências económicas e sociais que daí advém. Algumas delas andam à bulha com a polícia, fazem uns ataquezinhos terroristas bem jeitosinhos, matam gente. A famosa ETA anda há já muitos anos a estourar autocarros. Nesta coisa das guerras civis só não morre gente em Portugal. Fez-se o 25 de abril com muita calma, não morreu ninguém, a senhora dos cravos ainda ganhou o dia e à noite foram todos jantar calmamente. Mas se estão convencidos que os separatistas em Portugal andam a dormir, desenganem-se!

     Em Portugal é fácil perceber que, pela posição geográfica, os Açores e a Madeira são os mais fortes candidatos a estas coisas do separatismo/terrorismo. Existem uns grupos, desativados ao que parece, que andam há uns anos a mexer uns cordelinhos. Frente de Libertação dos Açores (FLA) e Partido Democrático do Atlântico, ambos dos Açores, e Frente de Libertação do Arquipélago da Madeira, da Madeira, escusado será dizer. Este FLAMA até teve umas acções armadas na época do fim da ditadura, com o Senhor Alberto João na frente da guerrilha. Pode parecer contraditório, mas o Senhor Jardim começou uma ditadura logo depois de ter terminado outra. E o separatismo dele é apenas parcial, quer apenas os direitos mas os deveres deixa-os ficar para os Açores.

     E é aqui que chego ao meu ponto de hoje, a estupidez destas coisas. Eu percebo que as pessoas queiram independência e autonomia na altura de pagar as contas. “Vamos ser um país” dizem eles. Meus meninos, em Portugal existe um movimento chamado “Separatistas de Ermesinde”. Sim, leram bem. E as suas reivindicações são simples:

o procedimento legal adequado à criação do Concelho de Ermesinde e da construção da ferrovia Linha do Leça

     Eu não sei se as pessoas de Ermesinde querem realmente ser independentes de Portugal, ou lá do concelho onde estão. O que eu sei é que primeiramente são uns xoninhas. Lá fora fazem-se coisas duras e problemáticas, cá existem “procedimentos legais adequados”. É de uma falta de violência que me deixa triste. Em segundo lugar, e usando o Correio da Manhã como fonte segura, é que eles querem ser concelho, mas antes precisam de “uma esquadra da PSP, um tribunal de comarca, um hospital distrital, uma biblioteca municipal e uma linha de metropolitano com ligação ao Porto, instalação de conservatórias de Registo Predial e de Registo Automóvel e de delegações dos serviços de emprego e da segurança social”, dados de 2003. Eu não quero parecer má pessoa, mas esta gente pedir para ser concelho é a mesma coisa que o Defour pedir para ser o melhor jogador de futebol do Mundo ou o Sócrates o melhor político, faltam qualidades e atributos. A mim pouca diferença faz se eles são concelho ou não, só peço que, após a “separação” concluída não se achem no direito de fazer carnavais como outras regiões autónomas, é que em fevereiro faz muito frio no Porto, não se justifica.

     Já agora, lanço o repto à gente do Bárrio que me lê, que em princípio sou só eu, vamos criar o movimento “Os Separatistas do Bárrio”! Esta coisa da agregação de freguesias juntou-nos a Cepões. Não gosto do nome, e quero o Bárrio elevado a vila, ou concelho mesmo. Precisamos de pouca coisa, a notar:

Tudo o que Ermesinde precisa

Um snack/bar

Nome de ruas

     Como podem ver, não é nada difícil ser separatista. E como apelar ao terrorismo é crime, se quiserem fazer movimentos independentistas, façam-no de modo sensato e com cabecinha.

Tomate do Bárrio

Ó Tomate do Bárrio, estás a ficar muito sério nas tuas abordagens. Para quando javardice?

Na próxima semana vou falar de coisas javardas, prometo.

Capítulo Décimo Primeiro – Às terças é dia de cinema, e isso não muda

     Sejam bem-vindos a esta casa. Estou tão habituado a escrever neste dia como vocês estão habituados a ler às terças, peixinho fora de água. Eu sou um homem de tradições, com valores enraizados e que preza a perpetuidade das coisas, como tal, hoje vou escrever sobre cinema.

     Depois de uma semana com uma das maiores viragens de paradigma do futebol nacional (eu só vou acreditar quando vir o Jesus com o fato oficial do Sporting, e só espero que voltem a jogar contra o Vizela, por questões de análise de coerência) não vou aprofundar muito o tema. Acho que depois de aberturas de telejornal, capas de jornal com “traições” e programas desportivos e políticos inteiramente dedicados a esse assunto nada mais posso acrescentar, a não ser um simples “deixem de ser vidrinhos e liguem mais a assuntos sérios”.

     Deixando o cinema português e partindo para o internacional, peço desde já desculpas por não ser capaz de introduzir uma lista com os meus realizadores favoritos de todos os tempos, dos últimos dez anos nem de curtas-metragens, o meu conhecimento cinematográfico é relativamente limitado, sobretudo quando comparado com o de um Tomate de Ferreiros.  A minha última aventura cinematográfica foi o Mad Max: Fury Road. E que filme! A verdade é que implicou uma preparação cuidada, com direito a visualização dos dois primeiros, um de 1979 e outro de 1981 (já não tive paciência para o terceiro, a minha alminha cansou-se). Onde consegui arranjar os filmes, perguntam vocês. Clube de vídeo mais próximo e concertei o meu leitor de VHS, eu não alinho nisso dos downloads ilegais. Quando cheguei ao cinema já estava a contar com um filme com poucas falas e muita ação, mas nunca naquelas proporções. Foram duas horas de adrenalina, e eu nem sou um homem de rally ou motocross. Se não tiveram oportunidade de ver, arranjem tempo! Conselho para a pós visualização, não conduzam. Vai ser perigoso, vão achar que são os maiores condutores de sempre. Não são os melhores e a polícia não deve achar piada a gente que salta por cima de outros carros.

     Vou crer que não foram na minha cantiga do VHS, vocês são seres que vivem num mundo real, e eu não tenho habilidade de reparação de leitores de vídeo. Esta semana foi anunciada uma possível solução para este flagelo com que as crianças de noventa se deparam. Como substituir o VHS? A Netflix anunciou que vai entrar no mercado nacional em outubro, com um preço de 7,99€. Este serviço, no que aos EUA diz respeito, disponibiliza um número absurdo de séries e filmes para consumo caseiro. Imaginem estar em casa, sentadinhos no sofá, comando na mão e simplesmente poderem escolher um filme ou série entre milhares. “Ah mas os canais pagos já têm muita oferta e podemos recuar”. Não é a mesma coisa, não é a mesma comodidade. E eu sei bem que o que dá na televisão nunca vai de encontro ao que vocês “querem” ver. Ou é porque o episódio da série que estão a ver é solto, ou já viram, ou fica muito lá à frente na história, ou os filmes de ação não prestam, as comédias românticas já viram e os dramas não apetecem, ou a cena daquele leão a caçar a gazela está mais que batida, já viram todos os Caçadores de Mitos e não vos está a apetecer ver o Jersey Shore. Na parte que me toca, o mais certo será eu experimentar em outubro. O primeiro mês é anunciado como grátis e eu gosto de ver  para contar como foi, coisas minhas.

     E como as terças não são a mesma coisa sem a recomendação de um filme, eu vou subir a parada e recomendar uma série também, aqui vai:

Inseparable

220px-Inseparable_FilmPoster

     Um filme que ainda não vi, vou sugerir porque gosto da  premissa do Sr. Kevin Spacey ser um super-herói de fato de  treino na China. Também estou a sugerir porque sei que vocês  seguem atentamente o blogue e veem todos os filmes aqui      sugeridos. Vejam e depois alguém que diga se é bom.

Interpretações: Como tem o Spacey, 10/10

História: Como tem o Spacey vestido de super-herói 10/10 

Produção: Sendo chinês tenho dúvidas 5/10 

Nota Final: Digam se é bom para eu ver


New Girl

img-allshows-new-girl-s4

     É o meu guilty pleasure, tenho quase vergonha  em escrever isto. Se gostam de séries de comédia  em que os protagonistas gritam uns com os  outros, esta é a vossa série. Se não gostarem  desta sugestão, e quiserem deixar comentários  ofensivos, então deixo- vos a sugestão de ver o “Bem-vindos a Beirais”, vão ver o que é qualidade.

Interpretações: o Nick Miller tem a performance de uma vida ao ser a pessoa mais resmungona à face da Terra, mas a Jess é chata, está sempre a cantar 7/10

História: Coisa mais simples e linear de sempre, não há surpresas nem mortes inesperadas 7/10

Produção: É uma série, está bem feita dentro do género 7/10

Nota Final: Bem porreira 7/10


     Não sou um grande entendido, mas acho que deu para fazer um serviço de qualidade.

Tomate do Bárrio

Capítulo Décimo– O Padrinho de Marinadela

     Era uma vez uma terra no centro da Andaluzia plantada. Essa terra tomava o nome de Marinadela e aqui todos eram felizes. Nela todos tinham emprego, trabalhavam na cooperativa agrícola da zona, muito à imagem dos sete anões e da sua exploração mineira. O seu salário chorudo ascendia aos mil e duzentos euros mensais, e lá ninguém passava fome. Quando alguém estava no limiar da pobreza, o seu presidente vinha em seu auxílio e assaltava supermercados para lhes dar comida, qual Robin dos Bosques. Aliás, este foi o único crime registado na cidade desde o tempo do avô do Robin, 1979. Nesta cidade ninguém morava debaixo da ponte, todos tinham casa, e aos que não tinham, a câmara oferecia os materiais para tal. E mais, depois de construída, ainda oferecia um subsídio de 195€ por metro quadrado de construção. Esta história não será sobre a bela vida de Marinadela nem dos seus habitantes, esta será desenvolvida em torno do primeiro português a lá chegar, e sobre a forma de destruição da pacata vida de toda a gente.

     O João, Silva de seu pai, decide que em Portugal não se está bem e que o melhor a fazer é emigrar. Mas não para longe nem para o frio, ele quer ser emigrante mas apenas em part-time. Ao ler o jornal descobre esta maravilha andaluza e a boa vida que lá se leva. Ainda o sol não havia raiado, já ele se metera ao caminho. Chega lá de manhã cedinho, toda a gente se prepara para ir para a cooperativa mas o João sentia-se cansado e foi para o café. Sentiu-se triste, ninguém queria jogar às cartas. Quando o Senhor Gómez, taberneiro de Marinadela, chega para lhe perguntar o que pretende tomar como pequeno-almoço ele pergunta se pode tomar um fino, que panados já trouxe de casa. Trabalho de campo nunca o cativou, tinha problemas de costas desde pequeno, mas tinha sobretudo preguiça. Como bom português, achou que teria de arranjar forma de dar a volta ao sistema enquanto comia os pistachos que o Gómez lhe trouxe. Nunca os iria pagar, ele queria era amendoins. Qual a melhor forma de enganar estes pacóvios todos, pensou ele. Aqui não há polícia, se fizer bodega, ainda tenho algum tempo para fugir, respondeu neste monólogo a duas vozes. Sendo uma terra agrícola o melhor que teria a fazer seria monopolizar o negócio da água. Chegou à fonte e disse “é minha!”. Por mais incrível que pareça, a falta de uma autoridade conseguiu tornar a fonte da terra propriedade portuguesa, Fonte de João. Eles bem desconfiaram, mas o poder persuasivo do João suplantou as dúvidas. Com o monopólio da água e consequentemente o da cooperativa, achou que o próximo passo passaria por arranjar uma casa. Claro que eles oferecendo subsídios por metros quadrados de construção, a casa teria de ter várias divisões. A cozinha seria gigante, sala com quatro lareiras para o frio, e um jardim com três piscinas para o calor. Piscina para ele, piscina para os pés dele e piscina para o cão dele. Ainda não tinha cão, mas não tardaria em adotar um dos grandes, ele não confiava em gente estrangeira, são todos de má rés.

     Um ano se passou, o clube do seu coração foi campeão. Foi para o pé da sua fonte festejar, e com a falta de polícia não existiu nenhum tipo de desacato. E não pela falta de agressividade policial, apenas porque ele era o único a comemorar, e quando toda a gente aplaude o mesmo não há razão para problemas.

     João sentia-se o Padrinho de Marinadela. Quando alguém precisava de favores era a ela que recorriam, não pela sua influência política mas por ser despachado e desenrascado. Sempre se achou melhor que os outros, sempre soube que ao sair de Portugal para uma terra destas seria para comandar, e o último ano tinha sido incrível. Foi candidato a presidente da câmara e com os bónus que teve dos metros quadrados de piscinas conseguiu subornar os seus funcionários. Aumentou o preço da água, de borla até então, e obrigou a cooperativa a vários despedimentos. Pessoas foram obrigadas a ir viver para debaixo da ponte, as mesmas que foram obrigadas a construir a ponte para sobreviver. João tinha tudo, e os marinadelenses também, até João entrar nas suas vidas.

Tomate do Bárrio

Ó tomate, que raio de bodega é esta?

Não sei muito bem, talvez uma sátira político-sócio-económica do nosso país em forma de conto, com João Silva como uma personagem saída de qualquer povoação próxima, tudo numa só página. Acho que vou concorrer ao Pulitzer.

Capítulo Nono – Enquanto escrevo este título outro record é batido

Hello Darlings,

     Por muito incrível que vos possa parecer, hoje o texto não passará pelos vencedores dos Globos de Ouro e muito menos pelo que os convidados levaram vestido. Poderia falar dos prémios, dos vestidos, penteados, pochetes, sapatos, batons, rímel, em que carro chegou à passadeira, quem levou como companhia, se foi uma nomeação/vitória justa, essas coisas que vão encher a Caras nas próximas semanas, mas simplesmente não percebo nem quero saber, de todo.

     Hoje irei falar-vos de estatísticas. Já abordei esse assunto anteriormente e, mesmo não sendo um grande especialista, desconfio sempre quando me mostram dados inequívocos sobre alguma coisa. As estatísticas que vos trago hoje são futebolísticas. Aqueles dados que todos os jornais e telejornais, jornalistas e comentadores têm na ponta da língua quando uma equipa joga. “O Campomaiorense não vence por mais de um golo na casa do Campo Pequeno há vinte e sete anos, oito meses e catorze dias”. Agarrados a estas estatísticas partem para uma análise do jogo, “historicamente difícil”. Em termos práticos, eles têm de inventar umas histórias deste género para conseguir encher as cinquenta horas semanais de programas “desportivos” na nossa televisão. Não estou a dizer que usar estatísticas para analisar um jogo seja errada. Se fizerem sentido então muito bem, usem-nas! Nenhum jogador do Bayern queria vingar a derrota que o Porto impingiu aos bávaros em 1989. Da mesma forma que daqui a quinze anos nenhum jogador do Porto se irá vingar desta. Vão estar todos reformados, já ninguém se lembra. Pior do que estatísticas que por muito esticadas que sejam, são verdadeiras, aquelas do género de “ligas da verdade” e coisas afins deixam-me possesso. Fazer conjeturas em acontecimentos que deveriam ter acontecido, alterar resultados finais com base numa falta a meio campo e no final do programa tecer um comentário como se tudo fosse uma teia especificamente montada para que essa liga seja o supra sumo da realidade faz-me lembrar o bruxo da terrinha. Um misto de universos paralelos e cartas da Maya.

     Melhor do que estatísticas de equipas são aquelas que são inventadas a nível individual. Nestes dias tudo o que mexe é record. Eu próprio, enquanto escrevi este texto bati quatro records. A constar:

     – Maior número de artigos escritos por alguém do Bárrio na Salada de Tomates (record batido semanalmente);

     – Melhor texto de sempre alguma vez escrito no meu computador (e já fiz uma tese);

     – Texto sobre estatísticas futebolísticas com maior número de palavras na Salada de Tomates;

     – Texto sobre estatísticas futebolísticas com menor número de palavras na Salada de Tomates.

     E isto só eu! No entretanto, o Ronaldo, o Messi e o Jonas já bateram pelo menos sete records cada um. E se não bateram, inventa-se um, ora vejam:

     «Jonas é o quarto melhor marcador da Europa em 2015. Avançado do Benfica já festejou 12 vezes este ano. Só Messi, Ronaldo e Harry Kane o superam. Tem a quinta melhor média de golos.” Sim senhor, muito bem! Quando a minha mãe me perguntar como correu o jogo de futebol com o pessoal eu posso começar a dizer que “correu bem, fui o sétimo melhor marcador da noite com zero golos, maior número de bolas fora e mais auto-golos”, até vai soltar uma lágrima de orgulho. Não tenho nada contra o Jonas, é bom moço, tirando a parte que tem cara de vinte e dois e cabelo de cinquenta, deixa-me confuso. Mas este não é um mal virgem, nem se fica pela ABola, apesar de esta ter muitas pérolas.

      “À e tal, mas o Messi e o Ronaldo são de outro mundo não entram para as estatísticas!” Entram pois, e também se inventam umas boas para eles, só para existirem notícias todas as semanas:

     “Pingue-pongue entre o argentino e o português na lista de recordes.

     Ao bisar frente ao Bayern de Munique, derrotado em Barcelona, por 3-0, Messi passou a somar 77 golos na Champions, mais um do que o craque português.” Esta é uma estatística que interessa, maior número de golos total e pleno numa competição. No parágrafo seguinte vem logo uma pérola “O argentino tornou-se ainda no protagonista do “bis” mais rápido de qualquer edição das meias-finais da Champions”. A especificidade deste número é algo que me faz bloquear e nem consigo arranjar uma estatística à pressão para gozar com isto. Atenção que isto mostra trabalho de casa, mas não me parece útil.

     Para terminar, deixo-vos alguns “records” para que tentem adivinhar quem os alcançou, boa sorte

     – Jogador mais rápido a chegar aos trezentos golos;

     – Jogador mais novo a chegar aos duzentos e cinquenta golos;

     – Primeiro jogador a marcar em todos os minutos de jogo;

     – Único jogador a marcar em vinte e três cidades diferentes na Champions;

   – Único jogador a marcar de calcanhar enquanto fazia uma bicicleta nas costas do Tsubasa.

Ó Tomate do Bárrio, és mesmo anti-Benfica!

Nada disso, só me fez comichão aquela capa porque o Porto tinha ganho 5-0!

Tomate do Bárrio

Capítulo Oitavo – Hitler às voltas na campa

Bem vos recebo fiéis leitores.

     Já arrumaram os cachecóis? Ontem senti-me obrigado a ver o FashionTV para fugir às imagens do Marquês. Eu não sou uma pessoa que perceba de bolsas e PIB’s mas isto hoje em Portugal deve ser uma desgraça, quase dia santo.

     Ora bem, esta semana venho falar-vos de algo que muito me inquieta e que pouco direito de antena tem nas várias plataformas de direito. Podem pensar que será bullying ou polícias a desancarem em pais de família, mas não, irei falar-vos do neo-nazismo. Desde já vos peço desculpa, mas com a mudança do acordo ortográfico tenho várias dúvidas quanto a hífens, mas isso ficará para outra altura. Cada vez que existem eleições na Europa fala-se no ressurgimento de forças de extrema-direita e partidos nacionalistas e da força que têm ganho ao longo dos anos. A senhora Le Pen teve 24% dos votos ficando à frente do Sarkozy. Na Grécia, o Aurora Dourara foi notícia por assumir um papel preponderante nos confrontos que existiram em 2013 e pela crescente onda nacionalista que se verificava na Europa. Muito bem, quem aguentou até aqui está de parabéns, eu próprio estive para desistir. Mas dentro da estupidez, há gente que consegue atingir patamares inalcançáveis ao mais comum mortal, e que faria o Hitler dar voltas no seu túmulo, e é muito bem feito diga-se.

     Vou enumerar dois grupos que me fazem rir por dentro, um alemão e outro russo. Podem dizer que sou preconceituoso ao assumir que os neo-nazis têm de ser skinheads cheios de tatuagens, mas estes dois “novos grupos” levam o conceito muito mais longe. Na Alemanha, o termo Nipster é utilizado para descrever os jovens que abraçam a “causa” do nacionalismo, mas ao mesmo tempo não descuram as modas que se fazem nos EUA e gostam de ser hipsters. Basicamente esta gente deve gostar de expulsar emigrantes, matar alguns até, mas numas calças apertadinhas e com óculos de massa. Eles até são normais em alguns pontos, preocupam-se com os direitos dos animais e com o meio ambiente, desde que esses “animais” não sejam pessoas de outro país, isso eles já não suportam.

     Na Rússia, e esta é boa demais, existe um movimento de Gay Aryan Skinheads. Sim é verdade, deixem de ser preconceituosos, nem todos os skinheads andam a encher de porrada com tacos de basebol, alguns usam purpurinas e lacas para o cabelo (estas apenas como armas de arremesso). Uma “organização” que luta pelos direitos dos homossexuais mas também pelo nacionalismo e “pela aniquilação de nacionalidades impuras”. Sou eu a única pessoa a achar que isto tem uma lógica a roçar o zero? Sempre achei que esta gente fosse de fortes ideologias, mas parece-me demasiado contraditório. Acho que bastava um muçulmano branco e homossexual aparecer numa reunião deles e aquilo ia tudo abaixo. Mas atenção que quando falo em homossexuais são apenas os do sexo masculino, que essas coisas do lesbianismo e travestismo eles já não entendem (como se costuma dizer, quem é que quer comer pão com pão quando pode comer pão com chouriço?). E acham que apenas os homens homossexuais podem ser verdadeiros patriotas, pois não perdem tempo com mulheres. E para terminar, não podia deixar passar o símbolo deles, não vou tecer nenhuma piada, não é necessário. O símbolo desta organização é uma cruz suástica e dois pénis que se cruzam. Obrigado e boa noite.

Tomate do Bárrio