Novas tecnologias sem pecado – o futuro

Ora muito boa tarde a todos os nossos leitores,

Portanto, aqui a Salada entrou em modo férias, e tocou-me a mim iniciar este aguardado período. Aguardado por mim, que vou descansar, e por vocês que não vão levar com tomates todos os dias.

Ora, o tema que hoje vos trago está relacionado com religião, e como muitas pessoas desejam viver numa bolha. Isto porque os Cristãos Evangélicos do Brasil criaram um rede social chamada Faceglória. Recomendo visitarem a homepage para serem recebidos com uma bonita e encorajadora mensagem da Carla Bruna. Toda a gente sabe que no Brasil não há grandes restrições de nomes e este até não é o pior, mas eu desconfio que esse nome foi uma vingança mesquinha dos pais por uma gravidez não planeada. Voltando ao Faceglória, o propósito de tal rede social é ser uma substituta do Facebook, mas sem pecados. Por exemplo, não há cá homossexualidade nessa rede. Porque Deus fez o homem e fez a mulher, um com chave, outra com fechadura. Tudo o resto não é natural e é pecado. Pois eu gostava de ouvir alguém citar a bíblia, dizendo “Discriminai o próximo, pois ele não sabe o que faz”. O mesmo se passa na Igreja Católica. Se algum padre lê este blog, eu gostava que dissesse nos comentários que nunca levantou a tenda, pois se sexo é para procriar, então não devia ser natural um homem ficar armado com a mais leve das aragens. A procriação deveria ser um momento de cumplicidade. Chegavam lá o homem e a mulher e diziam “sim senhor, vamos a isso” e o homem ganhava poderes mágicos, pois se é natural, Deus investiria o seu poder nele. Mas voltemos ao Faceglória. Além de não serem permitidos homossexuais, há mais de 600 termos censurados. Parece-me que metade deste texto estaria escondido sob asteriscos neste momento. Há também 20 polícias morais a patrulhar a rede. Ao que parece, a liberdade de expressão não deve ser lá muito natural também. Em vez de likes, coloca-se amens. E nisto eu concordo e acho que o Facebook devia copiar, já que as únicas vezes em que eu dou graças a Deus no Facebook é quando vejo uma foto de uma mulher bonita, e não sou religioso. Como disse no meu post anterior, a minha fé não foi recompensada quando mais pedi.

Mas, como já referi, o que eu acho pior é a vontade que algumas pessoas têm em viver numa bolha, alheados da realidade, num universo sem pecado. O que é viver sem pecado? É ir à missa todas as semanas? Se é, então depois pode-se bem chegar a casa e bater em toda a família; principalmente se se for um protótipo de heterossexualidade. Ou então arranjar intrigas no seio de outras famílias, desde que depois se faça a doaçãozinha para a fabriqueira, para a capelinha dos milagres, para o seminário…

Mas se querem viver numa bolhinha, eu estou cheio de ideias e só espero um parceiro que queira ser sócio. Toda a gente conhece o Tinder? Pois eu sugiro uma variante mais ao jeito do decoro. O critério de escolha deixaria de ser puramente libidinoso. Para a esquerda iriam as Maria Madalenas deste mundo. Para a direita as puras (e chatas) donzelas. E teria uma inovação. Quantos de vós não tiveram uma dúvida no Tinder e tiveram que mandar para a esquerda por causa dos limites de gostos? Por isso, eu sugiro incluir o movimento para cima. Enviava-se a rapariga para o purgatório e, mais tarde, quando abandonasse o seu decotezinho em favor de uma golinha alta, estava pronta para ir para a direita. Mais, podia-se incluir publicidade paga amiga do Senhor. Por exemplo, ensinar a técnica do coito interrompido, que as outras formas de controlo de natalidade (ou doenças) são pecado.

Os videojogos também são obra do Demo. Portanto, uma das minhas ideias intitula-se “Need For Speed: Moses Wanted”. Toda a gente sabe que os judeus tiveram que andar a todo o pano quando decidiram seguir Moisés para fugir dos egípcios. Pois aqui podíamos assumir o papel de Moisés e quitar os burrinhos, ou fazer upgrades para cavalos. E ainda se dava a conhecer a história bíblica. Ou então: “The Holy Scrolls: Skylimit”. O jogador encarnava um missionário que deveria andar pelo mundo a pregar a sua fé, enquanto se socorria de água benta, ou simples levar na tromba a.k.a. dar a outra face, para confrontar os infiéis. Numa vertente mais antiga, para ensinar conceitos de guerra santa durante as cruzadas, com um bocado de sangue e misticismo teríamos o “The Preacher 3: Infidel Hunt”. Temos ainda o “Call of Deity: Modern Homilies”, onde o objetivo é metralhar citações bíblicas a tudo que mexe.

E pronto, hoje o texto foi meio delirante, meio estúpidó-parvo, mas são férias, por isso pode-se.

Tomate de Barcelos

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Sorte precisa-se e soluções não faltam

Ora muito boa tardinha,

A vida anda difícil em muitas partes deste mundo, que o digam os gregos, mas não em todo lado. Esta semana deparo-me com uma notícia acerca de uma start-up japonesa que pretende vender estrelas cadentes. Isso mesmo, estas pessoas pretendem colocar um satélite em órbita para lançar uma bolinha que irá arder ao entrar na atmosfera, proporcionando uma experiência semelhante à de uma estrela cadente. Isto pela módica quantia de 8 mil dólares. Ora, eu já vi pelo menos duas estrelas cadentes, são bonitas, mas eu preferia gastar 8 mil dólares numa viagem, ou numa outra coisa que dure mais do que um segundo. Quiçá, numa garrafa de vinho. É também um gasto excessivo, mas ao menos durante uma hora sabia o que era viver à patrão.

Eu fiquei a pensar se uma coisa destas também contava para se pedir um desejo. É que até pode ser um bom investimento, porque pelas minhas contas 10 milhões de euros dá para mais de 1250 estrelas cadentes, que devem ser mais do que suficientes para ganhar o Euromilhões e esse é sempre o prémio mínimo. Além disso, isso era a prova dos nove relativamente a coisas que se acredita que concretizem desejos. Ou então era só coincidência. Eu acho que se fosse verdade que realizassem desejos isto devia ser regulamentado, porque aumentava o fosso entre ricos e pobres, pois assim já nem a sorte podia dar para o pobre se fazer rico. Mas pronto, eu não acredito nada em coisas de pedir desejos.

Quando era pequeno e rezava, uma vez pensei, em jeito de desejo, que gostava de ter uma N-Gage. Nunca tive, por isso virei agnóstico.

Mas, até se percebe, eu se tivesse um filho e ele todas as noites me repetisse sempre a mesma lengalenga eu dava-lhe mas era um banano no focinho. Há quem também lance moedas para as fontes e lagos. Fazem isto na esperança, talvez, de que a interação química entre a moeda de 20 cêntimos e a água altere as trajetórias de Saturno, que por sua vez induzam uma reação física no Sol, que com uma bufa solar vai bafejar o tipo que lançou a moeda com sorte, concedendo-lhe um desejo. Além disso, isto é jogar ao mata com os peixes vermelhos dessas fontes e lagos; sorte a deles que estão na água, senão o que se decidia que dava sorte era a queima do peixe vivo. O clássico trincar as velas de aniversário também é uma coisa ancestral que necessita de ser feita para que os desejos se cumpram. Uma vez pedi um desejo, mas não trinquei as velas. Deram-me na cabeça, mas o que é certo é que o desejo não se concretizou! Eu fiquei, obviamente, convencidíssimo de que deveria ter trincado as velas. No ano seguinte trinquei, mas o desejo não se concretizou na mesma. E então explicaram-me que além de trincar as velas, atirar moedas ou ver estrelas cadentes, também é preciso saber pedir desejos. Pelos vistos engatar a Alexandra Daddario não é concretizável. Tem que ser coisas mais realistas, tipo comer uma peça de fruta ou assim, que até faz melhor à saúdinha. No ano seguinte disseram-me que a probabilidade de o desejo se concretizar aumentava se trincasse as velas debaixo da mesa. Assim fiz. Pedi melancia, o meu fruto favorito, mas quando cheguei a casa a minha mãe só tinha comprado maçãs nessa semana. Amarelas e farinhentas, ainda por cima. Há também quem diga que pedir desejos na passagem de ano é bom. Parece-me que um dos desejos mais pedidos deve ser faturar até ao final da noite; o arrependimento mais comum do primeiro de janeiro deve ser não ter pedido o desejo de não ter ressaca no dia seguinte.

Depois há ainda os objetos da sorte. Trevos de quatro folhas, ferraduras, sapos da sorte… E pés de coelho! Agora há umas coisinhas peludas para simular os pés de coelho verdadeiros (veja-se a facilidade com que se engana as entidades da sorte com uma bijuteria qualquer dos chineses), mas antes tinha mesmo que se matar um coelho. Isto pode dar sorte, mas é um bocado de mau tom. Eu pelo menos não gosto de falar com gente porca, quanto mais quando essa gente tem um objeto em putrefação ao pescoço. A origem disto, segundo a Wikipedia, é ainda mais interessante do que darem sorte. Ao que parece, antigamente as pessoas dormiam junto dos animais. Nisto, as mulheres, tirando vantagem do seu género (já na altura se notava discriminação, mesmo sem haver discotecas e bebidas à pala) deixavam as lebres mamar dos seus seios para aproveitarem o calor da proximidade do animal. Dito isto, só tenho a dizer que ainda bem que a origem deste amuleto não tem por base uma história envolvendo homens.

E com isto termino.

Tomate de Barcelos

Enquanto houver Santos, já não se vai mal de todo

Boa tarde caros leitores desta salada,

Como aqui a salada não deixa passar nenhum ponto alto da atualidade mundial, não se podia deixar de falar dos santos populares em pleno dia de S. João. Esta festa tão tuga, e que em certa medida contribui para a pesca intensiva e talvez a diminuição da sardinha, continua a encher ruas. É isto e o bacalhau, o que vem mostrar que quando o tuga gosta de uma coisa espreme-a até não poder mais. Veja-se a novela Jorge Jesus, que até quando o homem vai cortar o cabelo dá notícia, tal é o carinho por essa personagem do nosso futebol, ou ódio, depende. Mas o que interesse (peço esta palavra emprestada ao Tomate de Niterói) é que eu acho bem estas festas que agradam a todas as idades, que o nosso povo também precisa de esquecer as mágoas em tempo de crise. E assim a malta também se abstrai um bocado das notícias da Grécia, que aquilo anda mal por aquelas bandas.

Mas voltando aos Santos Populares. Temos, portanto, o Santo António, o casamenteiro. Aqui organizam-se os conhecidos casamentos de Santo António, que eu tanto aprecio de ouvir falar. Sim, que não há paciência para as transmissões televisas. Pois celebre-se o amor, e dê-se uma festa especial aos noivos. À noite lá temos as marchas populares. Confesso que, pessoalmente, não aprecio ver essas transmissões. Não aprecio porque não me dizem grande coisa, dada a distância, e se me perguntarem que bairros há, só me ocorre Alfama. Mas pronto, até não acho mal de todo, porque há malta que deve gostar de ver aquilo. E se é para transmitir marchas, ao menos que sejam de uma coisa portuguesa, e deixem lá os carnavais de terras lusas sossegadinhos, que toda a gente gosta de ver as moças dançar o samba, mas fica um bocado ridículo se for a levar com chuva e vento no lombo.

O S. João eu conheço um pouquinho melhor. Não por ser da terra deste Tomate, que aqui temos a Festa das Cruzes, mas porque até tenho especial carinho por Braga. Qualquer dia irei falar da lenda das cruzes de Barcelos e como me despedaçaram um bocadinho a infância em 10 segundos há uns anos. Pois parece que Braga reclama ter as festas sanjoaninas mais antigas do país. Apesar de o martelinho ser proveniente do Porto. Segundo apurei, os estudantes do Porto queriam uma coisa que fizesse barulho para usarem na Queima das Fitas. E o sucesso foi tal que depois se estendeu às festas de S. João. Hoje não há quem não tenha já tido o seu martelinho e tenha distribuído marteladas a torto e a direito. Aqui há algumas variantes. Há aquele que compra o martelinho porque é tradição, mas depois não está para se chatear e não dá com ele em quase ninguém. Para contrastar, há aquele que não para com ele quieto, vai a descer as avenidas e é sempre a aviar. Há o que não tem noção da força e que dá com quanta tiver; aquilo ainda dói um bocado e se for dos martelos grandes depois de umas quantas pancadas começa-se a evitar estas pessoas. Depois há, ainda, o vingativo; este não faz grande coisa, mas também não está pela desportiva, que quando leva uma martelada vai atrás da pessoa e mostra o “sem-noção-da-força” que há em si. Numa outra categoria, também já vi gente com um martelo ou marreta de verdade. Sim, daqueles em ferro. E eram pessoas que tinham aspeto de quem não tinha medo de usar. Uma coisa é certa, esses não levavam marteladas de ninguém. A festa é gira e as pessoas são divertidas. Podia era evitar-se o alho-porro. Aquilo parece divertido à brava, a não ser que vos enfiem a planta pela boca dentro enquanto conversam.

O manjerico é típico no Santo António e no S. João. E engane-se quem julga que aquilo é só um arbusto e que é um dos negócios da China. Diz por aí que é afrodisíaco. Acho que isto explica um bocado o porquê de as pessoas gostarem de andar de martelo em riste nesta época, com esse cheiro todo pelo ar. Mas atenção, que ter um manjerico é uma responsabilidade, não é só bonito enquanto é pequenino e fofinho. Exige carinho, segundo dizem especialistas. Às tantas é como as vacas que o Tomate de Fraião referiu ontem, que quando tem nome dão mais leite. E se for realmente afrodisíaco, vale a pena tratar bem dele e vê-lo crescer.

Falta falar das festas do S. Pedro, mas dessas não sei grande coisa, por isso fico-me por aqui hoje.

Tomate de Barcelos

Aventuras e desventuras da profissão mais velha do mundo, e outras histórias

Boa tarde caríssimos leitores,

Esta semana tivemos um post sobre as vantagens da pombinha. Hoje o post vai ser sobre a procura de pombinha paga, que a semana passada foi prolifera em termos de notícias sobre o assunto.

Ao que parece, em Angola o negócio da prostituição deve ser meio desconhecido. Ou então é o que alguns jornalistas inocentes pensam. Então foram investigar a prática de prostituição em Luanda (video). E tenho a dizer que fica caro ir ao luxo, cerca de 400 € pelas mais baratas desta gama. E estas mulheres nem precisam de sentimentos para irem com um homem, dizem eles. Como? Então vai lá um homem carente, sente-se especial, e é tudo interesse? Não pode ser. Depois lá continuam, deixando a pergunta no ar: o dinheiro não era melhor empregue na educação ou a ajudar um familiar? Era sim, senhor. Mas parece-me pouco provável que a seguinte ordem de pensamentos exista em quem frequenta estas senhoras: “Ora, hoje ia bem era uma visitinha à Laida. Não, espera, vou antes ali à Staples comprar uma resma de papel do Carros 2 para o miúdo”. Eu ainda acho que a melhor maneira era legalizar a profissão. Pronto, já não havia mais cá coisas como se esconderem da polícia. As senhoras até podiam estar em locais melhores e mais seguros. Podiam passar a descontar e a ter reforma, e os clientes podiam pedir fatura para meter no IRS e habilitarem-se a ganhar um Audi, se fosse cá em Portugal. Ia ser especialmente engraçado para os gabinetes de contabilidade na altura de declarar o IRS, estarem a ver quem era afinal o macho da freguesia, o incansável.

Se em alguns sítios é ilegal, noutros é tão legal que as pessoas até se cansam de pagar impostos. Foi o caso de um senhor, proprietário de um bordel (vulgo, chulo) na Áustria, que cansado de pagar impostos decidiu oferecer sexo e bebida grátis aos clientes. Lembram-se do Pingo Doce colocar coisas a 50% no Dia do Trabalhador e parecer que se deu o apocalipse? Agora pensem se uma coisa destas fosse aqui. Mas em Portugal as coisas até são tranquilas e a malta gosta de dar a mão uns aos outros. Dar a mão salvo seja, que nestas conversas é sempre uma palavra perigosa. Estava eu a pesquisar coisas, quando me deparo com um fórum tuga dedicado a este tema. É verdade, meus amigos, houve um filantropo que criou um fórum para a malta trocar opiniões e conselhos. Um verdadeiro IPDB (podem imaginar o que é o P). Lá, os putanheiros lusos dão a sua nota de 0 a 10, contam as suas experiências e, veja-se, fazem-se anúncios de senhoras que estavam ausentes e estão de regresso, cuja notícia é recebida com grande entusiasmo. Os utilizadores são afetuosos, respondem com smiles e tudo. Mas não se pense que é tudo mel e coisas boas. Também há histórias tristes, e terríveis. Como aquele que chega lá e vê que existem algumas rugas e celulite. Ou aqueloutro que acha que a senhora tinha ar de quem tinha contas para pagar. Não há direito, então o cliente não tem sempre razão? Vai um gajo esperançoso, bate à porta com a direita, uns porque a esquerda pesa da aliança, outros para mostrar força, que a 60€ a meia-hora lá para o final do mês já só conseguem visitar a Casa da Dona Palma, e aparece uma pessoa destas à porta. Com problemas na vida e tudo! E no final a oral só se for encapotado (expressão que aprendi neste fórum), não há direito! Ah pois, nos posts que eu vi este era um dos problemas que mais apontavam (a malta gosta mais ao natural), e com isto lembrei-me daquele conto dos Irmãos Grimm. O Capuchinho Vermelho. Pois passo a contar. Um rapaz corpulento gostava muito de passear pela floresta, a caminho da casa da sua mais-que-tudo. E gostava ainda mais se pudesse ir no seu descapotável, ali à fresquinha. Certo dia, ia ele descansadinho da vida, quando o lobo mau o topou à distância. Este escondeu-se atrás de uma árvore, e quando o Capuchinho ia a passar, PUMBA, uma lostra de gonorreia no focinho. Moral da história: andar de descapotável dá doenças.

Para terminar, gostava só de referir mais um par de notícias curiosas. Ao que parece, uma produtora de filmes pornográficos quer gravar um filme porno no espaço. Não sei se já viram vídeos de astronautas a beber água; se já, facilmente percebem que o final tem tudo para ser uma coisa nunca vista. Também estão a ser desenvolvidas bonecas sexuais com o que de mais recente existe na robótica. Elas até falam e piscam os olhos. Eu estou como diz o Tomate de Ferreiros, que o dinheiro traz felicidade. E não sei o que é mais triste, se é o facto de estas bonecas sequer existirem, ou haver gente com 60 mil € para estourar que precisa destas coisas.

E com isto me vou.

Tomate de Barcelos

Elefantes, elefantes everywhere

Ora muito boa tarde caríssimos leitores,

Foi com grande alegria, alguma vá, que vi a semana passada que o Dolce Vita de Braga parece que vai mesmo abrir (notícia). E vai ter uma loja da IKEA e tudo. Nunca fui a uma loja destas, mas toda a gente fala tão bem, jogam lá às escondidas ao que parece, que acho que até irei lá para fazer turismo e quem sabe fazer um tacha. Este era um centro comercial que ia sempre abrir “para o ano”, chegando a falar-se num piso todo dedicado aos chineses. Até gostava de ver, uma pessoa ia ali à Massimo Dutti comprar uma camisinha à maneira e depois dava um saltinho ao chineses para balancear as contas. Mas pronto, este centro comercial arriscava ser mais um elefante branco. Mas como este, há outros espalhados por este país. Alguns dos estádios do Euro 2004 como o de Aveiro ou Leiria já toda a gente sabe que são, e não me vou alongar muito. Foi lindo aquelas bandeiras todas nas casas; a faturinha ao final do mês é que já não é tanto. Temos também o aeroporto internacional de Beja, que só custou 33 milhões de euros, mas que não atraiu ninguém. O que não se percebe, já que o aeroporto internacional mais próximo fica a 156 km de distância, em Faro. Uma distância impensável para se fazer noutro meio de transporte. Até fui fazer uma pesquisa (Wikipedia, óbvio), e com este aeroporto Portugal continental tem 4 aeroportos internacionais. Nada de extravagante, como aqueles ricaços da Suíça que tem 6. Ah, mas eles podiam ter um por cada aldeola lá dos Alpes. E ainda não se avançou para o da Ota, senão íamos ter um elefante branco mutante. Esse mais o TGV. A Marina do Lugar de baixo, por terras do Tio Alberto João Jardim, teve um investimento de 100 milhões de euros. Grande empreitada, capacidade para 297 embarcações. Que na Madeira é só gente rica, com barcos de recreio. Agora é uma zona de recreio mas é para a população. E ainda dizem que estes políticos não se preocupam com o povo, até fazem zonas de lazer milionárias para todos. O mais recente é o SATU, na zona de Oeiras. Para quem não sabe, é um meio de transporte não tripulado. Ora, cada carruagem tinha capacidade para 106 passageiros, passavam numa média de 4 minutos, e tinham uma média diária de 500 e tal passageiros. Destes, como bons tugas, provavelmente alguns não pagavam bilhete. Portanto, tínhamos um sistema de transporte de ar que também custou uns milhões, mas atenção, ao menos era não tripulado!

Mas para quem diz que neste país é assim, ou assado, nos outros também se passam coisas engraçadas. Espanha também tem o seu aeroportozinho de Ciudad Real, que só custou 1000 milhões de euros. Quase que os nossos são uma pechincha. Os alemães são muito organizadinhos e inteligentes, mas o aeroporto de Berlim já era para ter aberto em 2012, foi adiado para 2017, já gastou mais de 3,6 mil milhões de euros, e a data de abertura ainda não é certa. As ilhas do mundo, no Dubai, estão de construção parada e a afundar. Um mamarracho de apenas 10 mil milhões de euros. E isto são só alguns. Como se vê, toca a todos. Não que eu ache bem um elefantezinho branco aqui e ali, os outros que os tenham.

Tomate de Barcelos

Anos por aqui e esse mundo fora

Boa tarde caros leitores,

Esta semana venho falar sobre aniversários. Sim, esse dia que marca a passagem de mais um ano na vida de uma pessoa, por uns tido como um dos dias mais especiais do ano, por outros como apenas mais um dia.

Em Portugal penso que há várias formas de festejar o aniversário, dependendo da faixa etária, mas o bolinho, as velas e a cançãozinha de aniversário não falham. Canção esta que tem três versões e todas elas são cantadas; e só se começa a cantar quando se acende o foguetinho – é regra. E este é aquele momento embaraçoso em que um tipo tem toda a gente a olhar para ele enquanto cantam e batem palmas. E pensa: canto também? Isso é parvo porque diz-se claramente “parabéns a você”, ou deverei dizer “parabéns a mim”? Isso é narcisismo. Bato palmas? A mim? Pode ser para ajudar no ritmo, já que ali praticamente ninguém é especialista em canto e pode ser que a média dos erros das palmas tenda para o ritmo verdadeiro. Mas bater palmas sem cantar é estranho, e cantar a nós mesmos é parvo, como disse. Depois parte-se o bolo, a fazer cenas se não formos muito habilidosos, e acaba. Mas pronto, o tipo de festejo também vai variando ao longo da vida. Em criança junta-se os amigos, há balões e coisas lindas a decorar a casa, e os miúdos brincam. Os primos adolescentes da criança fazem o frete de lá estar porque os pais deles obrigam. Ali, a aturar canalha (esta expressão tão infeliz que o tuga usa para definir crianças), dizem eles, porque já são demasiado adultos. Depois vem a adolescência, e a malta quer é festejar com os amigos, que os familiares são uns chatos. Ir à pizza ou ao McDonald’s ao almoço é um programa porreiro. Na juventude o típico é continuar a fazer a festa com amigos e apanhar a borracheira, porque se há coisa que a malta gosta é de chamar memorável a um dia do qual já não se lembra no dia seguinte. Mas se assim é, é porque foi altamente. Depois vem a fase em que o pessoal acaba por ser mais adulto e festeja com mais nível, com familiares e amigos, com boa comida e bebida. Ou então não se festeja, come-se a sopinha à noite, vê-se TV e vai-se dormir um sono; e é tão legítimo como os outros. Em Portugal é mais ou menos isto, com maior ou menor rigor, da minha parte, na análise.

Ao redor do mundo há diversas outras tradições, pela pesquisa que eu fiz. No Vietname toda a gente festeja o aniversário no dia de ano novo, o que me parece bastante útil e de valor. A malta reúne-se, toda a gente contribui para o bolo, fica barato, e ninguém se esquece do aniversário de ninguém. Podem é esquecer-se que a pessoa existe, mas isso é outra história. É, ainda, dado um envelope vermelho, o li xi, contendo dinheiro em quantidade de um número par. Se for em ímpar é porque é um funeral; ou então um sinal que se queira enviar. E eu acho bem a malta contribuir no funeral. É como nos casamentos quando o casal conta com o dinheiro oferecido para pagar as contas, e há mais ou menos um acordo tácito de os convidados darem o suficiente para pagar a sua despesa. No Vietnam deve ser igual, até devem alugar quintas, tirar fotos com o morto e acabam a noite a dançar a Macarena. Na Dinamarca eles fazem um bolo em forma de pessoa. Depois o boneco é decapitado e a cabeça é servida ao aniversariante. Aqui, em Portugal, no máximo põe-se uns morangos por cima, que nós somos pacíficos. Na Dinamarca devem ser reminiscências do seu espírito Viking. Aposto que o dress code obriga a capacetes com chifres, cabelo em tranças e no final metem-se todos no carro e vão pilhar as redondezas. Na Alemanha é porreiro para as crianças, já que não tem trabalhos de casa. Para os adultos é uma seca, mas já todos sabíamos que a Alemanha não deve ser grande espingarda para diversões. Para começar, as bebidas são por conta do aniversariante. Por isso, a noite é memorável para todos. Os convidados bebem à pala, e embebedam-se. O aniversariante deve ser o tipo menos bêbedo, e o gestor de conta dele deve estar a ligar a saber o que se passa com aquele gasto todo. Se aos 30 anos não forem casados, então tem que ir varrer as escadas de locais movimentados. Já não bastava um tipo ter que chimpar com a despesa toda, ainda tem que passar o dia a trabalhar. E as pessoas ainda passam e apontam a dizer que “aquele nem para arranjar mulher é bom. Era enviá-lo para o sul da Europa que esses não fazem nada de jeito também”. Se eu fosse alemão queria ter nascido no dia 29 de fevereiro. Para terminar, sabiam que na China o dia do primeiro aniversário é pouco depois da criança nascer? Ah pois, que lá contam desde o dia da conceção. Curioso que seja um país com tantos abortos, e que cá se discuta a partir de quando é que se é um ser com dignidade. Mas parece-me que toda a gente tem motivos para beber. Os filhos para festejar, alguns pais para relembrar a memorável berlaitada de há uns anos, outros pais para tentar esquecer o tiro ao lado que possa ter sido.

E pronto, foi esta a incursão pelos aniversários.

Tomate de Barcelos

Isto é só saber

Boa noite caros leitores,

Eu tinha dito na semana passada que excecionalmente o meu post ia ser na quarta-feira, mas parece que afinal o Tomate de Barcelos é uma espécie que se dá melhor à quarta e o de Niterói à sexta-feira, por isso vamos ficar assim agora.

Há uns tempos estava a ler uma notícia acerca do vocalista e baixista dos Motörhead, o senhor Lemmy, na qual o próprio dizia que tinha deixado de beber Coca-Cola. Muito bem! Pensava eu que o senhor já não ia para novo e estava a zelar pela saúde, por causa do açúcar da bebida. Afinal, consta que ele tem diabetes. Logo a seguir ele diz que vai, então, mudar para a vodka laranja. Parece-me uma boa medida! Assim não carrega o pâncreas, e divide a carga com o vizinho do lado. É como aquela onda de assaltos na minha terra. O ladrão assalta uma casa de manhã, vai almoçar, e de tarde assalta a do outro lado da estrada, para equilibrar e não obrigar os agentes a ter que andar à procura de uma nova morada. Aprovado! Voltando ao senhor Lemmy, esta troca parece-me também acertada porque o seu fígado está habituado, ou não fosse ele pessoa para beber uma garrafa de Whisky por dia, segundo consta, como a velha guarda do rock. Isto é sempre uma coisa que eu não percebo. Há malta que bebe como tudo, fuma o alcatrão da estrada, usa drogas a torto e a direito, e anda aí para as curvas. Um tipo leva uma vida mais ou menos saudável, um dia come um rojão a mais e anda logo lixado durante uns dias. No fundo acaba por ser como aquelas crianças que andam a brincar na terra e acabam por ter mais defesas do que as limpinhas. Ao menos o senhor Lemmy tem vícios de homem, faz parte de uma outra geração de músicos. Agora a cena é ser viciado em xarope da tosse, como o Lil Wayne.

Mas, eu disse rojões porque é uma comida com bastante gordura e que eu gosto, nada de más experiências com eles. Mesmo que tivesse tido, o mais certo era continuar a comê-los e a saber-me bem. Eu acho piada àquela malta que sabe sempre, com precisão atómica, o que lhes causou mal-estar. Ou foi o bife que estava mal passado, ou a salada que tinha vinagre a mais, ou a comida que estava salgada, ou, certamente, aquele grão de arroz que tinha ketchup disposto de maneira não uniforme. Mas mais engraçado ainda é quando a mesma pessoa apanha uma bebedeira e sabe sempre o que é que lhe faz mal. E nunca é o álcool em excesso. Toda a gente sabe o mal que a água faz por cima do álcool. E toda a gente sabe que há sempre malta mal-intencionada a querer dar isso aos amigos. Pior que isso só mesmo uma laranja à noite, como diz o povo.

Isto é pessoal que é quase médico. Só falta o canudo. Mas, isso hoje em dia também não vale nada, mais vale não estudar, porque o saber ocupa lugar. Se não se deve apanhar sol na hora do almoço, então é quando o pessoal mais gosta, “para morenar”. Se tem tosse e o médico passa um xarope vulgar em vez de um antibiótico, então é um penedo. Mal sabem que não faz nada e até faz mal. Vá lá que agora é diferente, porque há uns anos o farmacêutico amigo lá dava o jeito. Se mandam parar de fumar, mais vale continuar porque uma pessoa tem que morrer e tem. Se tem que cortar na comida, corte-se, menos nas ocasiões especiais. O que safa é que quase todos os dias são dedicados a um santo que merece ser homenageado com um bucho bem cheio.

E pronto, hoje foi assim.

Tomate de Barcelos

Tristezas, pancadaria, roubo e arroz malandrinho

Boa tarde caros leitores,

Excecionalmente, esta semana vão aturar o gajo chato de Barcelos hoje, mas não fiquem tristes, que sexta-feira temos novamente samba com o Tomate de Niterói. Mas indo ao meu tema… Pois é, domingo foi um dia de tristezas e cenas tristes. O Benfica foi campeão com mérito, e por demérito do Futebol Clube Porto, o Gil Vicente carimbou o passaporte para a 2ª divisão, eu às 9 da manhã já estava acordado e tive que jantar chicharros.

Mas eu vou falar é do que se passou no final do jogo Vitória – Benfica. Começando pela cena da agressão do polícia ao sujeito que estava com os filhos. Eu nestas coisas das agressões com polícia gosto de saber a opinião do agente, até porque muitas vezes isso acontece em bairros problemáticos, com malta de gangs. Depois lá vem: “ah, o menino estava sossegadinho, a jogar aos tazos com os amigos, veio o polícia e bateu nele”. Mas muitas vezes o menino tem 20 anos, é um bicharoco e usa como patela dos tazos uma naifa borboleta. No caso do adepto do Benfica, não se vê nada de estranho até o subcomissário começar a distribuir soco a tudo que mexe, inclusive ao avô das crianças. Ora, o subcomissário justifica a agressão com o facto de ter sido cuspido, e o homem ter tirado partido do seu porte e conhecimento de que estava a ser filmado. Depois, o idoso ter-se-á evadido no meio dos restantes adeptos. O que eu leio aqui é que afinal nós temos um herói na polícia. Um herói que enfrenta e domina um Stallone das novelas da TVI, que só o queria entalar depois na TV, e que por azar, e artimanha do outro, deixa escapar o avô dos Três Ninjas.

Enquanto isto, outros adeptos do Benfica aproveitaram para ir embora de saco cheio. Não de golos, mas de recuerdos dos armazéns do estádio. Ora, um bom anfitrião deve deixar à vontade os visitantes. E foi o que aconteceu, dada a calma com que algumas pessoas circulavam com os objetos roubados. Mas o que eu acho sublime é o casal que está encher uma mala de viagem com rodinhas até abarrotar. Isto é que é roubar com classe, tendo em atenção a saúde, que isto de sair com as coisas nas mãos, ou no regaço, faz mal às costas. Quase que podia apostar que isto era tudo malta que se fartou de chamar gatuno ao árbitro e que nos anos anteriores recriminou árbitros que aceitaram cestos de fruta, ou meninas. Mas isto além de roubo é oportunismo. O que é aceitável em Portugal, como se vê pelas pessoas que acumulam subsídios e pelo próprio provérbio “quem parte e reparte, e não fica com a melhor parte, ou é burro, ou não tem arte”. A ironia é que estes não levaram na tromba da polícia. E isto é uma coisa que eu não percebo! Como é que se vê pessoas a sair com sapatilhas, bolas de futebol, malas de viagem e outros objetos nas mãos, e toda a polícia acha aquilo normal. Consigo imaginar justificações: “Ai Sr. Agente, tive que trazer estas sapatilhas extra porque um homem não se aguenta 90 minutos em sapatos de verniz. Aquele tacãozinho ma-ta-me!!”, “Ai, Sr. Agente, que uma pessoa não pode ir para lado nenhum desprevenida, sem o seu necessaire, que até tive que trazer uma mala de rodinhas. O calor daqueles very light exigem cuidados redobrados”.

Para terminar, já cá faltava o arroz do fanatismo, nos festejos na Praça do Marquês de Pombal. Para começar, foram ignorados avisos da polícia contra o modelo dos festejos e contra a venda de bebidas em garrafas de vidro. As mesmas que depois foram arremessadas. Claro que na polícia é tudo um bando de atrasados, e ninguém segue o que eles recomendam. Vamos assumir que foram adeptos do Benfica na origem dos confrontos, o que não seria de estranhar em coisas que envolvem claques. Está lá tudo feliz e contente, a festejar com buzinas e a abanar os carros que passam, e há alguém que se lembra que porreiro, porreiro, era começar a atirar garrafas e aleijar gente. Eu acho que esta gente merecia conhecer o subcomissário de Guimarães. Depois, eu quando era catraio, se na minha festa de aniversário me lembrasse de começar a distribuir cacete nos demais, levava duas lambadas dos meus pais e a coisa acabava ali. Claro que aqui é malta adulta e o que se podia fazer era levar esse pessoal a tribunal e proibir de entrar nos estádios. Mas os nossos clubes também não querem isso, que o que se quer é adeptos fiéis e fervorosos. Vamos agora assumir que foram adeptos do Sporting, disfarçados com roupas do Benfica, a começar os distúrbios para acabar com a festa. Ora, isto leva o fanatismo das claques para outro nível de estupidez humana. Faz-me lembrar aquele miúdo que não joga um chouriço de futebol, mas que tem uma bola boa e cara, vulgo, de capão, e quando está a perder pega na bola e vai embora. Isto era acabar com as claques, essa malta que se “sacrifica” pelos clubes. Marcam pontos de encontro entre claques para andar à porrada. Lançam petardos e outros objetos para as outras claques para andarem, depois, à porrada. Provocam transeuntes na rua para ver se andam à porrada. Não havendo essas vítimas, provocam agentes de segurança para ver se cai porrada. Isto parece-me ver aqui um padrão. Mas, é tudo por “amor” ao clube, nada de sadismo ou delinquência pura. É como quando assaltam paragens de serviço. Provavelmente justificam isso com as lojas dessas paragens terem cores do clube rival, só mesmo para os provocar.

Hoje fico-me por aqui. Até para a semana.

Tomate de Barcelos