Partidos, Partidos everywhere…

Bons dias meus queridos amigos,

Numa semana em que o tema da Grécia reina, não vos poderia falar de outra coisa senão política, mas não da grega, porque esse tema já está demasiado batido e aposto que vocês vomitavam se ouvissem outra vez palavras como Troika, referendo ou Varoufakis.

Então, hoje vou falar de um assunto que é de interesse extremo para a nossa vida como cidadãos e para o nosso futuro político. Sim, aposto que já todos adivinharam, escolhi o Espetro Político Australiano como tema da semana. Para as duas pessoas que continuaram a ler o texto depois desta revelação, digo-vos apenas que isto pode tornar-se bem mais interessante do que aquilo que estão a pensar.

Já há umas semanas o meu colega Tomate de Niterói falou da política e dos partidos brasileiros, mas para quem achou que isso era estranho, têm que dar um saltinho à Austrália. Como um país grande que se preze, os Australianos apresentam um número e variedade de correntes políticas tão grande que se assemelha àquelas gelatarias com gelados de sabor a bacalhau. Pois bem, este assunto prendeu-me a atenção quando soube da existência de um partido com o nome Partido Australiano dos Entusiastas de Automóveis. Se pensam que isto é inventado, estão muito enganados, porque foi mesmo isso que leram. Este movimento surgiu depois de aparecerem leis naquele país contra a modificação de carros (aka tunings). Provavelmente foi isto que aconteceu “Mas então não vamos poder usar néons amarelos debaixo do carro? Qual é a lógica disto? Vou já fazer um partido”. Até podem chamar-lhes burros, mas a questão é que até funcionou porque elegeram um deputado para o Senado. Aposto que fizeram tipo Valentim Loureiro, mas em vez de oferecer eletrodomésticos, ofereceram uns popós. Ou isso, ou os australianos têm um neurónio a menos.
Mas para quem pensa que isto é um ato isolado neste país está muito enganado, porque um outro partido que quase conseguiu ter um deputado foi o Partido Australiano do Desporto que tem como visão que “cada Australiano esteja envolvido num desporto”. Eu não sei como é por aquelas terras do outro lado do globo, mas o meu avô já mal se levanta e para o pôr a fazer desporto é quase estar a obrigá-lo a partir uns quantos ossos. Se formos a ver acaba por ser uma boa forma de acabar com o envelhecimento e o aumento da população, que por acaso é o que defende o Partido Australiano da Estabilização da População. Sei que parece inventado, mas não estou a gozar. Muito provavelmente em inglês com o sotaque australiano soa muito melhor, porque em português soa só ridículo.

Mas nem por acaso, estes três partidos e mais alguns fizeram uma aliança para “possibilitar que pequenos partidos tivessem representação”. Dentro desta coligação existe, por exemplo, o Partido Australiano do Sexo. Mas não pensem que este é um bando de badalhocos que legalizar o sexo em locais públicos, zoofilia ou avisodomia (quem quiser que vá ver o que é ao google), já que é um partido que surgiu para contrariar o grande aumento da influência da religião na política e foi criado por um grupo da indústria para adultos (daí o nome). O mais engraçado é que dentro da mesma coligação podemos encontrar os Cristãos Australianos, que lutam pela representação dos valores cristãos na sociedade australiana. Não sei porquê, mas estes dois partidos parecem-me um pouco difíceis de conciliar. Já estou a imaginar porrada entre padres e atores porno nas reuniões da coligação, o que seria uma “boa” forma de publicitar a coligação. Mas pode-se sempre pensar noutro prisma, assim conseguem ser representantes de todas as ideologias existentes na população, e quando digo todas não estou a exagerar, vamos lá ver… Temos ainda o Partido dos Caçadores e Pescadores, que surgiu quando tentaram mudar a lei do porte de arma e o Partido Australiano de Pesca e do Estilo de Vida, que se opõe a quaisquer medidas que restrinjam atividades de recreação. Existe ainda o Bullet Train for Australia, que quer apenas colocar comboios de alta velocidade no país (eu voluntario-me a fazer o programa de governo para eles, é capaz de dar um bom dinheiro e gasto 5 minutos do meu tempo). E por último o Partido “Help End Marijuana Prohibition”; não deve ser difícil de perceber o que defendem, é basicamente um Bloco de Esquerda que só fala da parte mais fixe da cena. E o mais engraçado é que tem como o seu fundador uma pessoa chamada Nigel Freemarijuana (eu sei bem o que ele andou a fumar antes de mudar de nome, e não era só tabaco).

Eu se estivesse na Austrália, e como me parece que qualquer pessoa faz um partido novo, criaria o Partido contra a Estupidez Humana. Os meus ideais era pôr uma coleira no pescoço de cada pessoa que desse um choque sempre que essa pessoa debitasse parvoíces como terem a intenção de criar um partido destes. Se calhar era capaz de ser um regime um bocado ditatorial, mas para grandes males, grandes remédios.

Atenção, para não ser mal interpretado, esta última parte poderia ser um bocado suavizada se ganhasse mesmo as eleições, mas acho que perceberam a ideia.

Já agora, para quem quiser entrar na onda, que diga aí o Partido que criaria se estivesse na Austrália.

Tomate de Fraião