Sorte precisa-se e soluções não faltam

Ora muito boa tardinha,

A vida anda difícil em muitas partes deste mundo, que o digam os gregos, mas não em todo lado. Esta semana deparo-me com uma notícia acerca de uma start-up japonesa que pretende vender estrelas cadentes. Isso mesmo, estas pessoas pretendem colocar um satélite em órbita para lançar uma bolinha que irá arder ao entrar na atmosfera, proporcionando uma experiência semelhante à de uma estrela cadente. Isto pela módica quantia de 8 mil dólares. Ora, eu já vi pelo menos duas estrelas cadentes, são bonitas, mas eu preferia gastar 8 mil dólares numa viagem, ou numa outra coisa que dure mais do que um segundo. Quiçá, numa garrafa de vinho. É também um gasto excessivo, mas ao menos durante uma hora sabia o que era viver à patrão.

Eu fiquei a pensar se uma coisa destas também contava para se pedir um desejo. É que até pode ser um bom investimento, porque pelas minhas contas 10 milhões de euros dá para mais de 1250 estrelas cadentes, que devem ser mais do que suficientes para ganhar o Euromilhões e esse é sempre o prémio mínimo. Além disso, isso era a prova dos nove relativamente a coisas que se acredita que concretizem desejos. Ou então era só coincidência. Eu acho que se fosse verdade que realizassem desejos isto devia ser regulamentado, porque aumentava o fosso entre ricos e pobres, pois assim já nem a sorte podia dar para o pobre se fazer rico. Mas pronto, eu não acredito nada em coisas de pedir desejos.

Quando era pequeno e rezava, uma vez pensei, em jeito de desejo, que gostava de ter uma N-Gage. Nunca tive, por isso virei agnóstico.

Mas, até se percebe, eu se tivesse um filho e ele todas as noites me repetisse sempre a mesma lengalenga eu dava-lhe mas era um banano no focinho. Há quem também lance moedas para as fontes e lagos. Fazem isto na esperança, talvez, de que a interação química entre a moeda de 20 cêntimos e a água altere as trajetórias de Saturno, que por sua vez induzam uma reação física no Sol, que com uma bufa solar vai bafejar o tipo que lançou a moeda com sorte, concedendo-lhe um desejo. Além disso, isto é jogar ao mata com os peixes vermelhos dessas fontes e lagos; sorte a deles que estão na água, senão o que se decidia que dava sorte era a queima do peixe vivo. O clássico trincar as velas de aniversário também é uma coisa ancestral que necessita de ser feita para que os desejos se cumpram. Uma vez pedi um desejo, mas não trinquei as velas. Deram-me na cabeça, mas o que é certo é que o desejo não se concretizou! Eu fiquei, obviamente, convencidíssimo de que deveria ter trincado as velas. No ano seguinte trinquei, mas o desejo não se concretizou na mesma. E então explicaram-me que além de trincar as velas, atirar moedas ou ver estrelas cadentes, também é preciso saber pedir desejos. Pelos vistos engatar a Alexandra Daddario não é concretizável. Tem que ser coisas mais realistas, tipo comer uma peça de fruta ou assim, que até faz melhor à saúdinha. No ano seguinte disseram-me que a probabilidade de o desejo se concretizar aumentava se trincasse as velas debaixo da mesa. Assim fiz. Pedi melancia, o meu fruto favorito, mas quando cheguei a casa a minha mãe só tinha comprado maçãs nessa semana. Amarelas e farinhentas, ainda por cima. Há também quem diga que pedir desejos na passagem de ano é bom. Parece-me que um dos desejos mais pedidos deve ser faturar até ao final da noite; o arrependimento mais comum do primeiro de janeiro deve ser não ter pedido o desejo de não ter ressaca no dia seguinte.

Depois há ainda os objetos da sorte. Trevos de quatro folhas, ferraduras, sapos da sorte… E pés de coelho! Agora há umas coisinhas peludas para simular os pés de coelho verdadeiros (veja-se a facilidade com que se engana as entidades da sorte com uma bijuteria qualquer dos chineses), mas antes tinha mesmo que se matar um coelho. Isto pode dar sorte, mas é um bocado de mau tom. Eu pelo menos não gosto de falar com gente porca, quanto mais quando essa gente tem um objeto em putrefação ao pescoço. A origem disto, segundo a Wikipedia, é ainda mais interessante do que darem sorte. Ao que parece, antigamente as pessoas dormiam junto dos animais. Nisto, as mulheres, tirando vantagem do seu género (já na altura se notava discriminação, mesmo sem haver discotecas e bebidas à pala) deixavam as lebres mamar dos seus seios para aproveitarem o calor da proximidade do animal. Dito isto, só tenho a dizer que ainda bem que a origem deste amuleto não tem por base uma história envolvendo homens.

E com isto termino.

Tomate de Barcelos

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