Enquanto houver Santos, já não se vai mal de todo

Boa tarde caros leitores desta salada,

Como aqui a salada não deixa passar nenhum ponto alto da atualidade mundial, não se podia deixar de falar dos santos populares em pleno dia de S. João. Esta festa tão tuga, e que em certa medida contribui para a pesca intensiva e talvez a diminuição da sardinha, continua a encher ruas. É isto e o bacalhau, o que vem mostrar que quando o tuga gosta de uma coisa espreme-a até não poder mais. Veja-se a novela Jorge Jesus, que até quando o homem vai cortar o cabelo dá notícia, tal é o carinho por essa personagem do nosso futebol, ou ódio, depende. Mas o que interesse (peço esta palavra emprestada ao Tomate de Niterói) é que eu acho bem estas festas que agradam a todas as idades, que o nosso povo também precisa de esquecer as mágoas em tempo de crise. E assim a malta também se abstrai um bocado das notícias da Grécia, que aquilo anda mal por aquelas bandas.

Mas voltando aos Santos Populares. Temos, portanto, o Santo António, o casamenteiro. Aqui organizam-se os conhecidos casamentos de Santo António, que eu tanto aprecio de ouvir falar. Sim, que não há paciência para as transmissões televisas. Pois celebre-se o amor, e dê-se uma festa especial aos noivos. À noite lá temos as marchas populares. Confesso que, pessoalmente, não aprecio ver essas transmissões. Não aprecio porque não me dizem grande coisa, dada a distância, e se me perguntarem que bairros há, só me ocorre Alfama. Mas pronto, até não acho mal de todo, porque há malta que deve gostar de ver aquilo. E se é para transmitir marchas, ao menos que sejam de uma coisa portuguesa, e deixem lá os carnavais de terras lusas sossegadinhos, que toda a gente gosta de ver as moças dançar o samba, mas fica um bocado ridículo se for a levar com chuva e vento no lombo.

O S. João eu conheço um pouquinho melhor. Não por ser da terra deste Tomate, que aqui temos a Festa das Cruzes, mas porque até tenho especial carinho por Braga. Qualquer dia irei falar da lenda das cruzes de Barcelos e como me despedaçaram um bocadinho a infância em 10 segundos há uns anos. Pois parece que Braga reclama ter as festas sanjoaninas mais antigas do país. Apesar de o martelinho ser proveniente do Porto. Segundo apurei, os estudantes do Porto queriam uma coisa que fizesse barulho para usarem na Queima das Fitas. E o sucesso foi tal que depois se estendeu às festas de S. João. Hoje não há quem não tenha já tido o seu martelinho e tenha distribuído marteladas a torto e a direito. Aqui há algumas variantes. Há aquele que compra o martelinho porque é tradição, mas depois não está para se chatear e não dá com ele em quase ninguém. Para contrastar, há aquele que não para com ele quieto, vai a descer as avenidas e é sempre a aviar. Há o que não tem noção da força e que dá com quanta tiver; aquilo ainda dói um bocado e se for dos martelos grandes depois de umas quantas pancadas começa-se a evitar estas pessoas. Depois há, ainda, o vingativo; este não faz grande coisa, mas também não está pela desportiva, que quando leva uma martelada vai atrás da pessoa e mostra o “sem-noção-da-força” que há em si. Numa outra categoria, também já vi gente com um martelo ou marreta de verdade. Sim, daqueles em ferro. E eram pessoas que tinham aspeto de quem não tinha medo de usar. Uma coisa é certa, esses não levavam marteladas de ninguém. A festa é gira e as pessoas são divertidas. Podia era evitar-se o alho-porro. Aquilo parece divertido à brava, a não ser que vos enfiem a planta pela boca dentro enquanto conversam.

O manjerico é típico no Santo António e no S. João. E engane-se quem julga que aquilo é só um arbusto e que é um dos negócios da China. Diz por aí que é afrodisíaco. Acho que isto explica um bocado o porquê de as pessoas gostarem de andar de martelo em riste nesta época, com esse cheiro todo pelo ar. Mas atenção, que ter um manjerico é uma responsabilidade, não é só bonito enquanto é pequenino e fofinho. Exige carinho, segundo dizem especialistas. Às tantas é como as vacas que o Tomate de Fraião referiu ontem, que quando tem nome dão mais leite. E se for realmente afrodisíaco, vale a pena tratar bem dele e vê-lo crescer.

Falta falar das festas do S. Pedro, mas dessas não sei grande coisa, por isso fico-me por aqui hoje.

Tomate de Barcelos

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3 thoughts on “Enquanto houver Santos, já não se vai mal de todo

      1. Lancei este ano.. espero para o ano ter os primeiros discípulos… Teve uma rapariga a quem em lhe dei uma martelada-simulação e ela respondeu-me com uma martelada normal e disse “verdadeiro” AHAHAH

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