Salada de conceitos e Doutores Francesinhas

Tomateiros, Tomateiras!

Hoje falo-vos de restaurantes e as tendências que têm aparecido e depois é que vamos às francesinhas (que é o que interesse). Tenho ido a alguns restaurantes no Porto, a experimentar novos sabores e novos conceitos. Sim, porque tudo agora tem de ter um conceito. Senão não é bom. Já não se abrem restaurantes sem um conceito bem definido. Hamburguerias, uma em cada esquina. Algumas com conceitos tão próprios que não deixam meia dúzia de amigos juntarem a mesa. Depois há lugares onde as senhas vão do número 1 para o 11, 12, 2, 20, 3… E não se pode reclamar. No meio de todo este conceito habituei-me a ligar uma luzinha da mesa para chamar o garçon. E não é que já levei com uma resposta “isso é só para o bar e não para os carrinhos”, mas de uma forma arrogante como fosse um problema não conhecer o conceito daquele lugar. Outro dia fui a uma “cervejaria” e pedi uma cristal e não tinha, pedi uma super, nada. Nem “a outra”… Tive de engolir uma cena “artesanal” e não refrescante. Curiosidade: o meu pedido foi “traga a mais parecida com a cristal”. Desilusão. Resumindo, sempre que se vai a um restaurante novo, tenho que perguntar como funciona parecendo que estou a lidar com maquinaria pesada. Mas o meu conceito favorito, e pioneiro nestas andanças, é o do McDonalds, onde permitem os clientes ter a fabulosa experiência de serem empregados de mesa de si próprios. Agora há alguns que até dão um bip para ires buscar a refeição quando tiver pronta, tipo uma evolução de um sininho.

E o que está na moda são ‘rias. Não sabem o que é? Hamburguerias, cervejarias, wafflerias, creparias, sanderias, pregarias e a mais excêntrica de todas: pizzarias.

E estes restaurantes não arriscam em novos pratos. Todos têm uma coisa em comum: SANDES. Afinal quem não gosta de sandes? E por falar em sandes, aproveito para trazer outro assunto à baila. Francesinhas.

Alguém me explica o porquê de toda a gente se tornar um crítico de gastronomia e um chefe de cozinha sempre que o assunto é francesinhas?

Para quem nunca reparou neste facto, reparem na próxima vez que forem à francesinha. Há sempre um comentário dos igredientes do molho “ah este leva açafrão, cerveja artesanal e um cálice de lágrima de cristo”, “este é doce, leva um toque de mel do gerês de abelhas virgens”. Mas o molho é só o princípio das críticas destes doutorados em francesinhas. Logo comenta-se o bife: “é tenro, e esta vaca com certeza pastou num terreno inclinado”. Seguindo para o recheio, passando pelo pão e culminando no ovo. Ah pois é, francesinha com ou sem ovo? Esta pergunta é apenas a ponta do iceberg para uma batalha sangrenta. E não é uma batalha entre dois grupos, é cada um por si porque cada um tem uma opinião muito própria. Normalmente há sempre o tipo “tradicional”: “francesinha com ovo? nunca na vida! e o molho tem de ser picante! Marisco? Isso não é francesinha!”. Mal sabem estes que existe francesinhas com alface no meio, no dia que souberem terão de ser internados num hospital psiquiátrico. Depois a maior parte são os do tipo “normal” que são os doutorados destes tempos. E por fim o tipo que desvasta tudo e come qualquer coisa, uma espécie rara em vias de extinção. Nem os gordinhos têm sido fiéis a este tipo de consumidor de francesinhas.

As francesinhas devem ser os pratos mais comparados em Portugal e em todo o mundo. Só no Porto existem 142 lugares com a melhor francesinha do Porto, e 213 com a melhor do mundo. É um abuso. E agora uma última observação:

Quem nunca falou de outra francesinha enquanto comia uma que atire a primeira batata frita!

E isto é o que gera mais discordância neste mundo de sandes com um molho engraçado. “Eu gosto mais daquela ou da outra, a outra é melhor no molho mas pior no bife”. Enfim, há pessoas que até fazem o seu top 10 de francesinhas. Caros Doutores Francesinhas, apreciem a que está à vossa frente.

E agora um final à Tomate do Bárrio style:

Ó Tomate de Niterói, não achas que a história do conceito é uma bodega e inventaste aquilo tudo só porque sim?

 Ora nem mais.

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Cover da semana: Shake It Off da Taylor Swift pelos Screaming Females. Não sabia que era possível gostar desta música 😀

TAB do baixo aqui, para variar

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Não coma só tomates, coma também banana e até para a semana!

Tomate de Niterói

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