Anos por aqui e esse mundo fora

Boa tarde caros leitores,

Esta semana venho falar sobre aniversários. Sim, esse dia que marca a passagem de mais um ano na vida de uma pessoa, por uns tido como um dos dias mais especiais do ano, por outros como apenas mais um dia.

Em Portugal penso que há várias formas de festejar o aniversário, dependendo da faixa etária, mas o bolinho, as velas e a cançãozinha de aniversário não falham. Canção esta que tem três versões e todas elas são cantadas; e só se começa a cantar quando se acende o foguetinho – é regra. E este é aquele momento embaraçoso em que um tipo tem toda a gente a olhar para ele enquanto cantam e batem palmas. E pensa: canto também? Isso é parvo porque diz-se claramente “parabéns a você”, ou deverei dizer “parabéns a mim”? Isso é narcisismo. Bato palmas? A mim? Pode ser para ajudar no ritmo, já que ali praticamente ninguém é especialista em canto e pode ser que a média dos erros das palmas tenda para o ritmo verdadeiro. Mas bater palmas sem cantar é estranho, e cantar a nós mesmos é parvo, como disse. Depois parte-se o bolo, a fazer cenas se não formos muito habilidosos, e acaba. Mas pronto, o tipo de festejo também vai variando ao longo da vida. Em criança junta-se os amigos, há balões e coisas lindas a decorar a casa, e os miúdos brincam. Os primos adolescentes da criança fazem o frete de lá estar porque os pais deles obrigam. Ali, a aturar canalha (esta expressão tão infeliz que o tuga usa para definir crianças), dizem eles, porque já são demasiado adultos. Depois vem a adolescência, e a malta quer é festejar com os amigos, que os familiares são uns chatos. Ir à pizza ou ao McDonald’s ao almoço é um programa porreiro. Na juventude o típico é continuar a fazer a festa com amigos e apanhar a borracheira, porque se há coisa que a malta gosta é de chamar memorável a um dia do qual já não se lembra no dia seguinte. Mas se assim é, é porque foi altamente. Depois vem a fase em que o pessoal acaba por ser mais adulto e festeja com mais nível, com familiares e amigos, com boa comida e bebida. Ou então não se festeja, come-se a sopinha à noite, vê-se TV e vai-se dormir um sono; e é tão legítimo como os outros. Em Portugal é mais ou menos isto, com maior ou menor rigor, da minha parte, na análise.

Ao redor do mundo há diversas outras tradições, pela pesquisa que eu fiz. No Vietname toda a gente festeja o aniversário no dia de ano novo, o que me parece bastante útil e de valor. A malta reúne-se, toda a gente contribui para o bolo, fica barato, e ninguém se esquece do aniversário de ninguém. Podem é esquecer-se que a pessoa existe, mas isso é outra história. É, ainda, dado um envelope vermelho, o li xi, contendo dinheiro em quantidade de um número par. Se for em ímpar é porque é um funeral; ou então um sinal que se queira enviar. E eu acho bem a malta contribuir no funeral. É como nos casamentos quando o casal conta com o dinheiro oferecido para pagar as contas, e há mais ou menos um acordo tácito de os convidados darem o suficiente para pagar a sua despesa. No Vietnam deve ser igual, até devem alugar quintas, tirar fotos com o morto e acabam a noite a dançar a Macarena. Na Dinamarca eles fazem um bolo em forma de pessoa. Depois o boneco é decapitado e a cabeça é servida ao aniversariante. Aqui, em Portugal, no máximo põe-se uns morangos por cima, que nós somos pacíficos. Na Dinamarca devem ser reminiscências do seu espírito Viking. Aposto que o dress code obriga a capacetes com chifres, cabelo em tranças e no final metem-se todos no carro e vão pilhar as redondezas. Na Alemanha é porreiro para as crianças, já que não tem trabalhos de casa. Para os adultos é uma seca, mas já todos sabíamos que a Alemanha não deve ser grande espingarda para diversões. Para começar, as bebidas são por conta do aniversariante. Por isso, a noite é memorável para todos. Os convidados bebem à pala, e embebedam-se. O aniversariante deve ser o tipo menos bêbedo, e o gestor de conta dele deve estar a ligar a saber o que se passa com aquele gasto todo. Se aos 30 anos não forem casados, então tem que ir varrer as escadas de locais movimentados. Já não bastava um tipo ter que chimpar com a despesa toda, ainda tem que passar o dia a trabalhar. E as pessoas ainda passam e apontam a dizer que “aquele nem para arranjar mulher é bom. Era enviá-lo para o sul da Europa que esses não fazem nada de jeito também”. Se eu fosse alemão queria ter nascido no dia 29 de fevereiro. Para terminar, sabiam que na China o dia do primeiro aniversário é pouco depois da criança nascer? Ah pois, que lá contam desde o dia da conceção. Curioso que seja um país com tantos abortos, e que cá se discuta a partir de quando é que se é um ser com dignidade. Mas parece-me que toda a gente tem motivos para beber. Os filhos para festejar, alguns pais para relembrar a memorável berlaitada de há uns anos, outros pais para tentar esquecer o tiro ao lado que possa ter sido.

E pronto, foi esta a incursão pelos aniversários.

Tomate de Barcelos

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One thought on “Anos por aqui e esse mundo fora

  1. Muito bom! Quanto ao morango no bolo, pode-se acrescentar que há sempre uma batalha feroz ou então uma rabugenta qualquer que diz: “eu quero com morango, eu quero com morango”. E o aniversariante é obrigado a fazer um buraco no bolo para satisfazer aquela pessoa xD

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