Capítulo Nono – Enquanto escrevo este título outro record é batido

Hello Darlings,

     Por muito incrível que vos possa parecer, hoje o texto não passará pelos vencedores dos Globos de Ouro e muito menos pelo que os convidados levaram vestido. Poderia falar dos prémios, dos vestidos, penteados, pochetes, sapatos, batons, rímel, em que carro chegou à passadeira, quem levou como companhia, se foi uma nomeação/vitória justa, essas coisas que vão encher a Caras nas próximas semanas, mas simplesmente não percebo nem quero saber, de todo.

     Hoje irei falar-vos de estatísticas. Já abordei esse assunto anteriormente e, mesmo não sendo um grande especialista, desconfio sempre quando me mostram dados inequívocos sobre alguma coisa. As estatísticas que vos trago hoje são futebolísticas. Aqueles dados que todos os jornais e telejornais, jornalistas e comentadores têm na ponta da língua quando uma equipa joga. “O Campomaiorense não vence por mais de um golo na casa do Campo Pequeno há vinte e sete anos, oito meses e catorze dias”. Agarrados a estas estatísticas partem para uma análise do jogo, “historicamente difícil”. Em termos práticos, eles têm de inventar umas histórias deste género para conseguir encher as cinquenta horas semanais de programas “desportivos” na nossa televisão. Não estou a dizer que usar estatísticas para analisar um jogo seja errada. Se fizerem sentido então muito bem, usem-nas! Nenhum jogador do Bayern queria vingar a derrota que o Porto impingiu aos bávaros em 1989. Da mesma forma que daqui a quinze anos nenhum jogador do Porto se irá vingar desta. Vão estar todos reformados, já ninguém se lembra. Pior do que estatísticas que por muito esticadas que sejam, são verdadeiras, aquelas do género de “ligas da verdade” e coisas afins deixam-me possesso. Fazer conjeturas em acontecimentos que deveriam ter acontecido, alterar resultados finais com base numa falta a meio campo e no final do programa tecer um comentário como se tudo fosse uma teia especificamente montada para que essa liga seja o supra sumo da realidade faz-me lembrar o bruxo da terrinha. Um misto de universos paralelos e cartas da Maya.

     Melhor do que estatísticas de equipas são aquelas que são inventadas a nível individual. Nestes dias tudo o que mexe é record. Eu próprio, enquanto escrevi este texto bati quatro records. A constar:

     – Maior número de artigos escritos por alguém do Bárrio na Salada de Tomates (record batido semanalmente);

     – Melhor texto de sempre alguma vez escrito no meu computador (e já fiz uma tese);

     – Texto sobre estatísticas futebolísticas com maior número de palavras na Salada de Tomates;

     – Texto sobre estatísticas futebolísticas com menor número de palavras na Salada de Tomates.

     E isto só eu! No entretanto, o Ronaldo, o Messi e o Jonas já bateram pelo menos sete records cada um. E se não bateram, inventa-se um, ora vejam:

     «Jonas é o quarto melhor marcador da Europa em 2015. Avançado do Benfica já festejou 12 vezes este ano. Só Messi, Ronaldo e Harry Kane o superam. Tem a quinta melhor média de golos.” Sim senhor, muito bem! Quando a minha mãe me perguntar como correu o jogo de futebol com o pessoal eu posso começar a dizer que “correu bem, fui o sétimo melhor marcador da noite com zero golos, maior número de bolas fora e mais auto-golos”, até vai soltar uma lágrima de orgulho. Não tenho nada contra o Jonas, é bom moço, tirando a parte que tem cara de vinte e dois e cabelo de cinquenta, deixa-me confuso. Mas este não é um mal virgem, nem se fica pela ABola, apesar de esta ter muitas pérolas.

      “À e tal, mas o Messi e o Ronaldo são de outro mundo não entram para as estatísticas!” Entram pois, e também se inventam umas boas para eles, só para existirem notícias todas as semanas:

     “Pingue-pongue entre o argentino e o português na lista de recordes.

     Ao bisar frente ao Bayern de Munique, derrotado em Barcelona, por 3-0, Messi passou a somar 77 golos na Champions, mais um do que o craque português.” Esta é uma estatística que interessa, maior número de golos total e pleno numa competição. No parágrafo seguinte vem logo uma pérola “O argentino tornou-se ainda no protagonista do “bis” mais rápido de qualquer edição das meias-finais da Champions”. A especificidade deste número é algo que me faz bloquear e nem consigo arranjar uma estatística à pressão para gozar com isto. Atenção que isto mostra trabalho de casa, mas não me parece útil.

     Para terminar, deixo-vos alguns “records” para que tentem adivinhar quem os alcançou, boa sorte

     – Jogador mais rápido a chegar aos trezentos golos;

     – Jogador mais novo a chegar aos duzentos e cinquenta golos;

     – Primeiro jogador a marcar em todos os minutos de jogo;

     – Único jogador a marcar em vinte e três cidades diferentes na Champions;

   – Único jogador a marcar de calcanhar enquanto fazia uma bicicleta nas costas do Tsubasa.

Ó Tomate do Bárrio, és mesmo anti-Benfica!

Nada disso, só me fez comichão aquela capa porque o Porto tinha ganho 5-0!

Tomate do Bárrio

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