Tristezas, pancadaria, roubo e arroz malandrinho

Boa tarde caros leitores,

Excecionalmente, esta semana vão aturar o gajo chato de Barcelos hoje, mas não fiquem tristes, que sexta-feira temos novamente samba com o Tomate de Niterói. Mas indo ao meu tema… Pois é, domingo foi um dia de tristezas e cenas tristes. O Benfica foi campeão com mérito, e por demérito do Futebol Clube Porto, o Gil Vicente carimbou o passaporte para a 2ª divisão, eu às 9 da manhã já estava acordado e tive que jantar chicharros.

Mas eu vou falar é do que se passou no final do jogo Vitória – Benfica. Começando pela cena da agressão do polícia ao sujeito que estava com os filhos. Eu nestas coisas das agressões com polícia gosto de saber a opinião do agente, até porque muitas vezes isso acontece em bairros problemáticos, com malta de gangs. Depois lá vem: “ah, o menino estava sossegadinho, a jogar aos tazos com os amigos, veio o polícia e bateu nele”. Mas muitas vezes o menino tem 20 anos, é um bicharoco e usa como patela dos tazos uma naifa borboleta. No caso do adepto do Benfica, não se vê nada de estranho até o subcomissário começar a distribuir soco a tudo que mexe, inclusive ao avô das crianças. Ora, o subcomissário justifica a agressão com o facto de ter sido cuspido, e o homem ter tirado partido do seu porte e conhecimento de que estava a ser filmado. Depois, o idoso ter-se-á evadido no meio dos restantes adeptos. O que eu leio aqui é que afinal nós temos um herói na polícia. Um herói que enfrenta e domina um Stallone das novelas da TVI, que só o queria entalar depois na TV, e que por azar, e artimanha do outro, deixa escapar o avô dos Três Ninjas.

Enquanto isto, outros adeptos do Benfica aproveitaram para ir embora de saco cheio. Não de golos, mas de recuerdos dos armazéns do estádio. Ora, um bom anfitrião deve deixar à vontade os visitantes. E foi o que aconteceu, dada a calma com que algumas pessoas circulavam com os objetos roubados. Mas o que eu acho sublime é o casal que está encher uma mala de viagem com rodinhas até abarrotar. Isto é que é roubar com classe, tendo em atenção a saúde, que isto de sair com as coisas nas mãos, ou no regaço, faz mal às costas. Quase que podia apostar que isto era tudo malta que se fartou de chamar gatuno ao árbitro e que nos anos anteriores recriminou árbitros que aceitaram cestos de fruta, ou meninas. Mas isto além de roubo é oportunismo. O que é aceitável em Portugal, como se vê pelas pessoas que acumulam subsídios e pelo próprio provérbio “quem parte e reparte, e não fica com a melhor parte, ou é burro, ou não tem arte”. A ironia é que estes não levaram na tromba da polícia. E isto é uma coisa que eu não percebo! Como é que se vê pessoas a sair com sapatilhas, bolas de futebol, malas de viagem e outros objetos nas mãos, e toda a polícia acha aquilo normal. Consigo imaginar justificações: “Ai Sr. Agente, tive que trazer estas sapatilhas extra porque um homem não se aguenta 90 minutos em sapatos de verniz. Aquele tacãozinho ma-ta-me!!”, “Ai, Sr. Agente, que uma pessoa não pode ir para lado nenhum desprevenida, sem o seu necessaire, que até tive que trazer uma mala de rodinhas. O calor daqueles very light exigem cuidados redobrados”.

Para terminar, já cá faltava o arroz do fanatismo, nos festejos na Praça do Marquês de Pombal. Para começar, foram ignorados avisos da polícia contra o modelo dos festejos e contra a venda de bebidas em garrafas de vidro. As mesmas que depois foram arremessadas. Claro que na polícia é tudo um bando de atrasados, e ninguém segue o que eles recomendam. Vamos assumir que foram adeptos do Benfica na origem dos confrontos, o que não seria de estranhar em coisas que envolvem claques. Está lá tudo feliz e contente, a festejar com buzinas e a abanar os carros que passam, e há alguém que se lembra que porreiro, porreiro, era começar a atirar garrafas e aleijar gente. Eu acho que esta gente merecia conhecer o subcomissário de Guimarães. Depois, eu quando era catraio, se na minha festa de aniversário me lembrasse de começar a distribuir cacete nos demais, levava duas lambadas dos meus pais e a coisa acabava ali. Claro que aqui é malta adulta e o que se podia fazer era levar esse pessoal a tribunal e proibir de entrar nos estádios. Mas os nossos clubes também não querem isso, que o que se quer é adeptos fiéis e fervorosos. Vamos agora assumir que foram adeptos do Sporting, disfarçados com roupas do Benfica, a começar os distúrbios para acabar com a festa. Ora, isto leva o fanatismo das claques para outro nível de estupidez humana. Faz-me lembrar aquele miúdo que não joga um chouriço de futebol, mas que tem uma bola boa e cara, vulgo, de capão, e quando está a perder pega na bola e vai embora. Isto era acabar com as claques, essa malta que se “sacrifica” pelos clubes. Marcam pontos de encontro entre claques para andar à porrada. Lançam petardos e outros objetos para as outras claques para andarem, depois, à porrada. Provocam transeuntes na rua para ver se andam à porrada. Não havendo essas vítimas, provocam agentes de segurança para ver se cai porrada. Isto parece-me ver aqui um padrão. Mas, é tudo por “amor” ao clube, nada de sadismo ou delinquência pura. É como quando assaltam paragens de serviço. Provavelmente justificam isso com as lojas dessas paragens terem cores do clube rival, só mesmo para os provocar.

Hoje fico-me por aqui. Até para a semana.

Tomate de Barcelos

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