Bota andar à porrada em grupo! Nós, que o outro desgraçado tem que estar sozinho

Boa tarde caros leitores,

Esta semana toda a gente viu aquela agressão que aconteceu na Figueira da Foz. Aquilo, de fato, é chocante e um ato de grande cobardia. Realmente, o rapaz não pode andar à porrada, ou seja, defender-se, só pode apanhar já que tem um bando de pessoas à frente. Deve ser isto que a Igreja quer, que a malta dê a outra face, mas só diz isso quem não está a levar uma coça. De qualquer forma, vem logo dizer-se que esta juventude está muito violenta, que não há respeito, que há prazer na desgraça do outro. Isto sempre existiu, mas agora filma-se para ter o likezinho ou a partilhazinha no Facebook. “Ah, que isto dá status”. E ainda bem! Se por um lado essa malta deve um bocado à inteligência e não percebe que vão ser apanhados, por outro chama a atenção para o problema.

Isto fez-me lembrar os tempos de escola, e os mauzões que lá haviam. A coisa não deve ser muito diferente agora, já que não sou assim tão velho. Então essa malta dos bairros achava-se a maior. Esses grupos de “crime” muito pouco organizado eram conhecidos por seitinhas (pelo menos em Barcelos, não sei como é nos outros sítios). Na altura nunca tinha pensado no sentido da palavra, mas hoje fui procurar a definição de seita, e diz a wikipédia: “…conceito complexo utilizado para grupos que professem doutrina, ideologia, sistema filosófico ou político divergentes da correspondente doutrina ou sistema dominantes…”, “…organização de um grupo contra um meio que consideram hostil ou descrente…”, “…vê o restante da sociedade como inerentemente má ou pecadora, passível da ira divina, que inevitavelmente sobrevirá sobre eles…”. A parte do conceito complexo parece-me banhada, porque se chegaram a conhecer alguém desse género sabem que a linearidade era mais a cena deles. Basicamente, o que interessava era chatear a malta, de preferência alguém sem amigos de seitas, a ver se dava para bater neles; quando eram muito rudes e de poucos modos até saltavam a parte do chatear. Mas claro, só se os amigos estivessem à beira, que é preciso alguém para fazer claque. Mas concordo, professavam uma doutrina, a da sociopatia. Concordo também com a parte em que se organizavam contra a malta que parecia simpática e bem-educada; também nunca fui com a cara desses tipos, eram mesmo má rês. E de acordo com isso, praticam a execução da ira divina através do insulto e agressão gratuita. De vez em quando lá encontravam um miúdo que lhes dava o troco e lá chamavam o bando todo para bater num só tipo. “Vais ver, até o preto vem” (almas purinhas, havia mesmo um africano mauzão que se identificava por preto, por isso não há cá racismo). Juntavam-se 30, 40, 50 gajos fora da escola para bater num. Barcelos não é assim tão grande, e quando o desgraçado saía e o viam, lá havia um dos maus que dizia: “Ai era o Joaquim, eu conheço, vamos embora”. Acabava ali a história, e lá iam todos contentes. Uns porque foram para o convívio, um porque mostrou que era o rei e não estava cá para brincadeiras e o outro porque não levou na tromba. Eu também achava curioso que nesta malta, geralmente, o tipo mais pequeno e magrinho era o que passava por mais mau. Ah, as saudades do tipo que cuspia para a parede, do outro que se punha a tapar a trajetória de observação dos funcionários (mas que só estava naquela posição por acaso e queriam fazer dele o bode expiatório), do que colecionava telemóveis roubados, do que tinha uma mãe MILF e era gozado pelos restantes tipos da seita.

E pronto, meus amigos, foi bom recordar os tempos da estupidez da adolescência.

Para terminar, gostava só de dizer que hoje foi um dia triste. Morreu o B. B. King, na minha opinião, um dos melhores músicos de sempre, senhor de uma voz inconfundível e um virtuoso da guitarra. Recordo aquele concerto em Sabrosa, Vila Real; foi muito bom ver esta lenda ao vivo. Deixo-vos um vídeo do seu último álbum, que vem como que um pedido; cabe a nós manter o seu legado limpo, e vivo.

Até para a semana.

Tomate de Barcelos

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