Terrorismo à portuguesa

Boa tarde caros leitores,

Esta semana o país parou por causa de uma suspeita de bomba na Ponte 25 de Abril, em Lisboa. Trânsito cortado, aparato policial, divisão canina e o camandro. Será terrorismo? Era a questão que estava no ar. Meus caros, eu continuei a comer a minha costeleta sossegadinho, sem me preocupar. Vamos lá ver. Poderia ser um grupo terrorista internacional? Na minha opinião, não. Eles são terroristas, mas não são completamente estúpidos. Para quê gastar tempo a preparar uma coisa, gastar homens, eventualmente gastar virgens no paraíso, que já não devem haver em abundância estes dias, para atacar um país que dá cabo de si sozinho. Portugal ia ter uma das companhias de telecomunicações mais poderosas do mundo com a fusão da PT com a OI, e lá vem um grupo de tugas que acha que não estava bem e trata de destruir. Na realidade, isso foi consequência do caso BES; quando o país começava a ganhar mais credibilidade lá vem o bom Zé e trata de a deitar por terra. Já não bastava o país estar a privatizar tudo, a vender o património, vêm agora os pilotos da TAP com a greve de 10 dias, sujeitos a deitar a empresa por terra, porque “se nós não lucramos, mais ninguém lucra (e o sindicato ainda nos paga estes dias, que mimo)”. E porque é que os terroristas nos atacariam? Porque metemos tropas em conflitos do Médio Oriente? Eles são meia dúzia de tipos, e até são fixes porque jogam futebol com os miúdos de lá.

Mas pode dizer-se que não há só grupos terroristas estrangeiros a atacar os países. Veja-se a ETA e o IRA que atuam nos próprios países. E eu digo, não há risco nenhum. O único terrorismo que o português pode vir a fazer é partir um copo de Super Bock no tasco. Mas um copo dos bons! Em Espanha ou na Grécia aumentam o IVA 0,00001% e eles partem aquilo tudo. O bom do português vai para o tasco, barafusta, espuma, bate com o punho na mesa. “Haviam de ver! Eu se apanhasse esses gatunos era duas bofetadas naquele focinho sem hesitar! Eu se governasse… Ó Zé, põe aí na novela. Eu se governasse, fazia 30 por uma linha e punha tudo em ordem! Que se lixe a Merkl”. Bebe-se umas minis, come-se um ou dois pires de piners, e vamos embora, contentes por mostrarmos como seríamos um dia corajosos, se fosse preciso. Nas minhas pesquisas vi que a Ponte 25 de Abril já tinha sido cortada em 2000 por ameaça de bomba reivindicada pelo Grupo Independentista de Angola. Conhecem? Pois, nem vocês nem ninguém, são tão terroristas como a Salada de Tomates.

Apesar de parecer, o terrorismo não destrói as coisas e mata gente porque sim, tem o propósito de lançar o terror. Mas connosco não fazem farinha, que ao terror estamos nós habituados. Haverá terror maior do que ter a seleção em risco de não ir a um Mundial ou um Europeu de futebol? Temos isso desde sempre. Terror é ver o Alberto João a dançar no carnaval, porque nunca se sabe se de uma daquelas pregas de banha não saltam mais uns milhões de dívida da Madeira. Terror é ver um grupo da Casa dos Segredos e saber que há uns milhares iguais que ficaram pelo caminho no casting. Terror é descobrir que todos os Primeiros-ministros lá no fundo tem podres graves (nem é preciso ir muito a fundo em alguns casos).

Como veem, é altamente improvável um ataque terrorista em Portugal, mais fácil é implodirmo-nos sozinhos. Durmam em paz. Até para a semana.

Tomate de Barcelos

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