Nada melhor que um país sem guerras e com chocolate

Guten Morgen liebe Freunde, Bonjour chers amis, Buongiorno cari amici

Voltei mais uma semana para atormentar o vosso juízo, mas agora durante uma semana de trabalho, porque infelizmente as férias não duram para sempre.

Vou começar esta semana com uma introspeção da minha participação neste espaço semanal, e, após alguma análise, reparei que os meus textos se assemelham um bocado ao “What Grind My Gears” de Family Guy, mas claro que em muito melhor. Então, para não acharem que sou um rabugento chateado com a vida, vou tentar fazer um texto com menos insultos a grupos de pessoas ou pessoas específicas.

Perguntam então vocês por que razão comecei este texto com frases em diferentes línguas? Para quem não foi ao Google Tradutor, não vos vou poupar trabalho, vão ter mesmo de ir lá ver o que significa.

Então, a semana passada estive na terra dos Alpes, do tirolês (não daquele cantado pelo José Figueiras), dos bancos e do chocolate. Ainda não descobriram qual o sítio de que falo? Se não, mais vale desligarem e voltarem às aulas de geografia. A Suíça é então um país sempre conhecido pela sua neutralidade, e para os que não sabem, já o é desde 1815. Ah pois é, o pessoal do resto do mundo a bater uns nos outros em duas guerras mundiais, e eles descansadinhos da vida a ganharem dinheiro à nossa custa. Chamem-lhes burros.

Mas além da neutralidade, este povo tem uma confiança na raça humana que nós, portugueses, não conseguimos compreender. Só para verem:

– A porta de entrada da maioria das casas não tranca ao fecharem a porta, mas nós aqui se não dermos duas voltas à chave corremos o risco de sermos assaltados em plena luz do dia.

– Eles têm campos inteiros de flores que as pessoas podem colher à vontade, pagando depois o respetivo valor numa caixa que lá se encontra. Atenção, ninguém rouba a caixa e toda a gente paga. Exceto, claro, uns portugueses que foram lá colher centenas de flores sem pagar nada para venderem depois na sua florista. Ai que orgulho que tenho do meu país.

– Eles não precisam de ter controlo de bilhetes nos autocarros porque todas as pessoas pagam o bilhete. Pelo contrário, em Portugal, se soubéssemos que não havia picas, ninguém gastava dinheiro em transportes. Principalmente porque passado algum tempo todos os transportes iam à falência.

Além disso, este país tem particularidades engraçadas. E como vocês sabem, eu sou fanático por fatos completamente desinteressantes, por isso aqui vai:

– Sabem qual a capital da Suíça? Provavelmente muitos diriam Zurique ou até Genebra, mas não, a “capital” é Berna. E porque razão usei as aspas? Porque oficialmente a lei suíça não designa uma capital, por causa das sensibilidades federalistas dos vários cantões. Basicamente para ninguém se chatear, não puseram nenhuma cidade no papel, apesar de a capital existir. Outra curiosidade é que Portugal é um bocado semelhante, já que no ano de 1255 Afonso III levou as cortes de Coimbra para Lisboa, nunca oficializando a nova capital, e assim ficamos até ao dia de hoje, sem uma capital no papel, mas não é que seja muito importante, porque como uma capital que se preze, Lisboa rouba-nos tudo à mesma.

– Na Suíça é ilegal ter apenas um porquinho-da-índia, porque estes “são animais sociáveis, sendo cruel mantê-los em isolamento”. Digam-me lá se isto não é ao mesmo tempo ser amigo dos animais e da economia? Possibilitou logo a abertura de negócios de aluguer destes animais.

– Uma das defesas deste país é a auto-demolição de certas estruturas rodoviárias que ligam a pontos importantes do país. Até apoiava uma guerra contra a Suíça só para ver este sistema a funcionar, deve ser um espetáculo pirotécnico interessante.

Mas nem só de coisas boas este país é feito, já que eles não podem ser perfeitos:

– Um dos cantões da Suíça apenas aprovou o voto pelas mulheres em 1990. Só de pensar que só no ano em que nasci é que algumas mulheres na Europa puderam votar faz-me um bocado de comichão.

– Para um país neutro e que aceita toda a gente, em 2009 foi proibido, através de um referendo, construir mais minaretes no país (para quem não sabe, são as torres existentes nas mesquitas). Parece que afinal os senhores suíços têm uns odiozinhos reprimidos, se calhar qualquer dia convido algum a ajudar-me num dos meus textos.

Mas no geral pode dizer-se que é um país fenomenal, com paisagens belíssimas, e que se não fosse caro como o raio, era um bom país para viver depois de me reformar. Lá terei de esperar pelo Euromilhões e espero bem que não demore muito.

E para quem me vier dizer “Ah e tal, mas tu não ias parar de insultar alguém por uma semana? Insultaste todos os portugueses hoje.”, acho que consegui ser mais calmo que o normal rapaziada. Não me venham pedir o impossível e só falar de sonhos cor-de-rosa e unicórnios a saltar pelos prados verdejantes.

Para quem gosta mais do meu estilo mais agressivo, podem estar descansados, que eu também gosto mais, por isso estou a contar para a semana voltar a desbastar em alguém. Só não sei bem quem…

Não percam o próximo episódio, porque senão serão os próximos a levar.

Tomate de Fraião

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3 thoughts on “Nada melhor que um país sem guerras e com chocolate

  1. “Para quem gosta mais do meu estilo mais agressivo, podem estar descansados, que eu também gosto mais, por isso estou a contar para a semana voltar a desbastar em alguém. Só não sei bem quem…”
    Mr. Grey, is it you?

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  2. Tu da-lhe tomate de Fraião! A professora de português que tivesse descoberto que tinhas esta veia de escritor x)

    Aprendi mil coisas graças ao teu post 🙂 obrigada! Espero por mais 🙂

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    1. Realmente quase que sou poeta 😛 Esperem por um livro nos próximos tempos!
      Estas informações vão ser informações para quando fores lá 😉

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