O que é nacional é bom! Quer dizer, depende…

Boa tarde caros leitores,

Esta semana venho falar da música feita em Portugal, não necessariamente em português, já que hoje em dia muita gente opta por cantar numa língua estrangeira. Ou em várias, não nos podemos esquecer da “Dança comigo” da Sabrina, no Festival Europeu da Canção, quando a dada altura ela canta qualquer coisa como “Dance avec moi… Te quiero tanto… Let’s dance together, I wanna take you to the moon”. Ainda dizem que o Emanuel, que foi quem escreveu a letra, é pimba, ele é mas é um poeta poliglota. Mas o que me faz escrever sobre isto hoje foi o facto de no passado fim-de-semana ter vindo um programa da tarde à terra deste Tomate. Uma pessoa tem sempre curiosidade de ver como está a correr, justificando que viu isto ou aquilo enquanto fazia zapping, claro. E além da quantidade de tempo que salta à vista o enche chouriço que fazem à volta dos passatempos, fazendo jus à boa fama que o tuga tem na arte do fumeiro, eu fico embasbacado com a quantidade de cantores pimba que existem. Existe assim tanto mercado? E eles existem para todos os gostos. Temos o poliglota que não canta numa língua estrangeira, mas que importa sucessos internacionais para a bela língua de Camões de Portugal. Ah pois, o Sérgio Rossi, muito originalmente, pega na Balada (Tchê tchê rere), substitui a parte do “Gustavo Lima e você” por “Galvão e Rossi e você”, canta com sotaque português, e tau, temos música de sucesso nova. Isto é que é uma melhoria a uma música já de si tão boa. Para compensar, temos o brasileiro irrequieto e a nova moda do zumba, na qual se faz uma letra com as palavras-chave: “bater palmas”, “para cima”, “para baixo”, num ditado infinito de ordens de dança. Ainda em cantores brasileiros desses programas, é comum ver-se a dupla de cowboys românticos. Fico a pensar se não foi com um programa destes que o Ang Lee se inspirou para o Segredo de Brokeback Mountain. Há também aqueles que tem um rasgo de inspiração, escrevem dois versos e siga viagem. Consigo imaginar essas pessoas na rua, lembram-se de dois versos e pensam: “Ei, isto é que vai dar uma música!”. Chegam a casa e realmente fica tudo espremido em dois versos. Que se lixe, faz-se um rampage de concertina, repete-se os versos durante 3 minutos, e já dá para ir à TV. Afinal, se o tuga come a Casa do Segredos em loop, também come uma música assim. E por falar em concertinas, já não se pode com os grupos de “minhotos”, sejam eles marotos ou não. Se querem levar no pacote, que vão, mas não chateiem uma pessoa. Mas não se pense que é só no pimba que há boas coisas, eu também acho piada a coisas que vou ouvindo na rádio. Para dar o exemplo, na Vício dos 5-30, a dada altura diz o lá o maior que quer ficar com uma tipa: “Se estás grávida dele, eu pago o aborto”. Parece-me uma boa frase de engate. Consigo imaginar um gajo a faturar na noite ao sussurrar num tom sexy ao ouvido das damas: “Pst, oube lá, eu sou abortista de profissão”.

Antes de terminar, gostava de salientar a boa música que também se faz atualmente por terras lusas. E eu acho mesmo que não faltam escolhas de grande qualidade. Começando pelo fado de Ana Moura e Gisela João, que trazem inovação para o género (gosto especialmente da segunda, tendo como bónus ser de Barcelos). Ainda a cantar em português, no rock, temos os já incontornáveis Linda Martini, durante muito tempo um segredo passado boca-a-boca, e os jovens Capitão Fausto. Num género que nem sei caracterizar muito bem aparece A Naifa, uma banda que me agrada especialmente. Noutros registos, talvez mais ligeiros, apresentam-se António Zambujo, Miguel Araújo, e, talvez, até um JP Simões. Na música nacional, mas cantada em inglês, podemos ouvir o inventor do telefone Noiserv; qualquer objeto mundano pode ser um instrumento. Frankie Chavez, um one man band. Também Mazgani, o iraniano radicado em Portugal há anos, larga autênticas bombas musicais; aproveitem que tem um álbum quentinho. Mas no instrumental damos cartas também, com Dead Combo, Filho da Mãe ou Norberto Lobo; aqui dou especial destaque a Black Bombaim, uma banda de rock psicadélico, na minha opinião a melhor entre aquelas que algumas pessoas vão dizendo que formam o Rock de Barcelos.

Até para a semana.

Tomate de Barcelos

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s