Capítulo Quinto – Macho Latino, um estudo social

     Sejam bem-vindos a esta mui nobre casa de tomates, mais uma dura semana se avizinha.

     Seria de esperar que após um fim-de-semana pautado pelas comemorações dos quarenta e um anos do 25 de abril e também pelo “jogo do título” o meu texto se virasse para esse lado mais político e social da semana. Porém, será sobretudo social, muito pouco político, e que me habilitará a ser levado ao colo por estatísticos.

     Na semana passada, numa peça da TVI, foi divulgado um estudo realizado pela Prof.ª Doutora Catarina Leitão, da Universidade do Minho. Confesso que procurei o estudo em causa, mas não encontrei. Cara Catarina, se me lê, peço-lhe que mo envie, para me poder retratar para a semana, porque isto vai ser durinho.

https://www.facebook.com/111501795592752/videos/vb.111501795592752/828862080523383/?type=2&theater

     Pela minha larga pesquisa, este estudo foi apresentado no dia 22 de abril, na mesa da inovação na intervenção parental, com o nome “Transgressões na condução em jovens de ambos os sexos: o efeito das normas masculinas tradicionais.”. Sim, existem conferências destas coisas, o que faz parecer encontros de ranchos folclóricos e o Ovibeja pontos turísticos de interesse máximo. Neste ponto não posso deixar de ser solidário. A TVI conseguiu transformar um estudo que me parece sério, em algo que roça o ridículo. Por razões de simplicidade, e olhando em retrospetiva a um texto antigo, a Cat (Posso chamar-te assim? Somos quase amigos agora) passou quatro aninhos da sua vida a fazer algo que tem direito a uma notícia às duas da tarde, com o rodapé de “Jovens “macho latinos” são mais perigosos ao volante”. Claro que depois as pessoas em casa se queixam dos impostos e de quão mal empregues eles são, sobretudo na investigação.

     “Os resultados evidenciam que os participantes do sexo masculino e da classe média/alta reportam mais transgressões na condução do que os do sexo feminino e da classe baixa, e que o grau de conformidade com as normas masculinas tradicionais explica parte destas diferenças.”

 Clap, clap, clap

     Este sou eu a bater palmas ao longe, enquanto me levanto e solto uma lágrima pelos quatro anos que a Cat perdeu a fazer um estudo de senso comum.

“Mas olha lá, é senso comum mas isto não estava quantificado. Estudos nas áreas de ciências sociais são da mais alta importância”

São sim caros leitores, mas não são precisos quatro anos. Se me dessem um bloquinho de marca branca, uma bic e uma calculadora, eu ia a três locais de interesse para este estudo e sacava umas boas estatísticas.


     Encontro tunning:

     Não existe melhor sítio para os encontrar que estas concentrações. Nada mais macho latino que um Opel Corsa de 92, cor de laranja, rebaixado, com uma coisa atrás que parece algo do futuro, o belo do aileron . Claro que depois, os limites de 50 km/h nas localidades parecem muito limitadores para estes ases da condução.

Cálculo Final:

Número de Meninas/ Número Total de carros * Número de Camisolas caviadas

       Se este número for superior a 1, é tudo macho latino, e os amigos deles também.


Claque de Futebol

Estou a brincar, que eu tenho amor aos dentes, e eles nunca viram uma calculadora.


Feiras Populares/ Festas da Terrinha

     Procurar o macho latino numa festa da terra é relativamente fácil, encontrá-lo, ainda mais. Fechem os olhos e sigam a música come miolos, aquela que tem uma batida repetitiva. Quando sentirem que estão perto da fonte do mal, abram os olhos, e aí estão: chegaram aos carrinhos de choque! Por norma, esta má rês dos machos latinos vai parar a essa zona, e gastam meio salário para andar às voltas nesse espaço. Mas no meio de tanta gente como descobrir o verdadeiro street racer? Procurem os que apenas andam em círculos, na zona mais afastada da pista. E que, quando uma criança lhes bate com o carro gritam “não vês por onde vais? Olha que vamos ter de resolver isto ali fora”, e começam à bulha, por não perceberem o conceito de choque.

Cálculo final:

Número de racers/ Número total de pessoas nos carrinhos * Número de Crianças com olhos negros *100

Se obtivermos mais de 50%, estamos perante um flagelo e os pais deveriam fazer alguma coisa rapidamente.


Vêem o quão fácil é fazer um estudo social?

     “Catarina Leitão conclui, mediante estes resultados, que o discurso do “macho latino” influencia o sujeito a fazer mais transgressões na estrada.”

     Gostava também de saber como se faz a contagem dos machos latinos num inquérito. Porque o meu método é visual é percebe-se rapidamente. Em que se baseava essa contagem? Eu ficava chateado se participasse num inquérito e no final me chamassem nomes e dissessem que era um perigo na estrada.

     Este estudo “pode e deve ser aproveitado para a intervenção no combate à sinistralidade rodoviária”. Imaginem que ao tirarem a carta, no exame de código, vos colocam questões do foro pessoal, como:

Usa colares?

Usa gel?

Apara cuidadosamente a barba de modo a criar o efeito de ter apenas uma linha em contorno do queixo?

Bate em mulheres?

 

São estudos como estes que podem revolucionar a vida como a conhecemos, e eu não consigo imaginar uma em que o Velocidade Furiosa não faça sentido.

Tomate do Bárrio

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