É isto que o público quer

Boa tarde caros leitores,

Hoje venho falar das excelentes notícias que os nossos media trazem até nós. Estava eu a ver o Jornal das 8, na TVI, quando me deparo com mais uma notícia de elevado interesse público. Sim, eu sei que ao ver a TVI pedi por isso. Tratava-se de uma notícia (mais uma) acerca do esquema de venda de papel comercial do BES e dos seus lesados. Mas esta trazia uma novidade. Meus caros, um motorista da família Espírito Santo também foi lesado. Ah pois, que a malta do BES é imparcial, estraga a vida sem olhar a quem. Um motorista que às vezes até ia buscar o José Maria Ricciardi à escola, quando este tinha 9 anos. Aposto que até lhe dava rebuçados Dr. Bayard quando estava com tosse. Depois despediu-se e mudou de emprego. Mas não interessa, vamos dar a conhecer a sua história aos portugueses. Gatunos do BES, aldrabões do BES, infame BES. Nem para os seus olha. No entanto, há males que vêm por bem e o senhor gosta de ir às manifestações. Inclusive, gosta que os estrangeiros venham perguntar o porquê da manifestação, mesmo que ele não saiba responder. Aquilo é porreiro, um gajo até faz amizades, e o dito senhor já é conhecido pela t-shirt que usa. Aposto que até já sabe o Grândola Vila Morena de cor e salteado. Ficou foi a faltar a reconstrução dos “factos”, à la Meco. Consigo imaginar o vulto escuro, com a voz distorcida, “Como motorista, nunca deixei o depósito chegar à reserva para não entupir a bomba injetora, e retribuíram-me assim”. Atenção, eu tenho pena das pessoas lesadas, e ainda mais do conceito de bom jornalismo deste canal. Se forem primos de um amigo da senhora da caixa do Pingo Doce onde os funcionários da família Espírito Santo vão fazer compras, façam figas, que os vossos 15 minutos de fama estão a chegar! Se forem senhoras, aproveitem e ponham aquelas estrelinhas e corações nas unhas, e pintem as pontas do cabelo de loiro. Se forem senhores e gostarem dessas coisas ponham também, que não discrimino ninguém.

Isto fez-me ir às memórias e lembrar o JN, aquele jornal de renome. Pois é, meus amigos, os tempos mudam. Deixem de seguir páginas de humor no Facebook, e sigam o JN que é melhor. Uma vez, ia eu no scroll infinito do Facebook e vejo a manchete: “Sapo vai ao espaço”. E a nostalgia bate, porque, como qualquer criança, também eu quis ser astronauta. Abro a notícia, achando que a NASA estava a fazer novas experiências. A história andava à volta do lançamento de um vaivém, mas o vapor foi tão intenso que lançou um pobre sapo pelo ar, e este foi capturado numa foto. Uma notícia igualmente boa era: “Tomate de Barcelos com prémio Nobel da literatura”. Depois abriam e era só eu com um livro do Saramago apanhado no cantinho inferior direito da foto. Tinha o mesmo potencial de notícia. E por falar em espaço, veio a público que para progredir no projeto da Mars One e ir para Marte era preciso ganhar pontos, inclusive através da compra de mechandising do projeto. No fundo é como a cientologia, mas menos parvo porque não há Xenu nenhum, nem risco de se levar duas porradas se se quiser sair, e há a promessa de ir ao espaço e morrer como “herói”.

Mas neste campo quem dita as tendências é o CM e a sua TV. Esta foi a que fez notícia com a vaca brava que andava à solta e que nem a GNR controlava. Eu tenho dúvidas se a vaca realmente era brava, ou as pessoas é que eram mansas. Aqui assisti também a uma espécie de Cops tuga, em que uma jornalista acompanhava a polícia numa detenção. Mas ao contrário dos EUA, cá era a jornalista que dava porrada no senhor, depois de este estar algemado. Porrada verbal, leia-se, perguntando se não tinha vergonha do que tinha feito e atacando a pessoa com adjetivos. Quem fez bem foi o Ronaldo em não falar, que a malta do CM ainda lhe fazia uma espera, e depois noticiava que o Ronaldo tinha sido rude ao lançar a cara contra os punhos deles. Depois, esta TV também gosta de tornar as notícias mais intimistas, dizendo o nome dos envolvidos e a profissão, que se for um médico ou um advogado a fazer asneira é sempre mais lindo. Ia eu a fazer zapping quando vejo a notícia: “Zé das Cortiças atropelado na A11”. E paro, achando que era alguém conhecido. Não, era mesmo só o Zé das Cortiças de uma terriola qualquer. E era conhecido por esse nome porque tirava côdeas de trás das orelhas. Eu inventei a parte das côdeas, e o nome também porque já não me lembrava do verdadeiro, mas até aqui tudo encaixava numa notícia do CM.

Por hoje fico por aqui, até para a semana.

Tomate de Barcelos

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