Um tomate provavelmente inconstitucional

Cumprimentos caros leitores,

Então, passaram bem a semana? Com saudades das minhas inutilidades semanais? Devem estar em pulgas para o que vos trago desta vez.

Para começar, e em resposta aos meus queridos colegas tomates, tenho a dizer que posso ser considerado um “tolinho” das séries, e com muito gosto. E reforço mais uma vez o que o nosso tomate importado (aka Tomate de Niterói) disse: FRIENDS é a melhor série de sempre, e isto não é ser extremista, é constatar um fato inegável.

Mas voltando ao meu tema da semana, hoje decidi sair da fronteira portuguesa, porque o mundo não é só Portugal, e este blog tem que se começar a internacionalizar. O país escolhido foi a Lituânia, já que é o centro geográfico do nosso continente. E eu sei isto porque imprimi um mapa da Europa e andei com uma régua para ver qual seria mesmo o centro. Ou então fui à Wikipedia, mas fiquem pela primeira opção, sempre mostra que me dedico mais a este texto. Além disso, foi na Lituânia que nasceu o Hannibal Lecter (se não conhecerem, perguntem ao Tomate de Ferreiros que ele é capaz de vos espancar), e toda a gente sabe o interessante que é um país onde nascem canibais. Melhor país para visitar seria impossível, provavelmente voltaríamos a Portugal sem um braço, mas ao menos teríamos uma história para contar.

Mas não é sobre geometria nem canibalismo que vos vou falar hoje. Esta semana descobri um sítio fantástico que se encontra em Vilnius, capital da Lituânia. Chama-se Uzupis, e apesar de ter um nome engraçado, o interessante neste bairro é que os seus moradores declararam a independência da região e chama-se agora República de Uzupis e foi no dia 1 de abril de 1997 que tudo isto aconteceu (a data não foi aleatória). Aqui existe uma bandeira que tem uma cor diferente para cada estação (quem me dera que Portugal fizesse isto, nunca sei bem quando é a mudança de estação). Este país possui ainda um exército, com aproximadamente 11 pessoas (aposto que ganham qualquer guerra), e têm uma adoração, nada mais, nada menos, que por Frank Zappa (até bustos do artista tem pelo país). Mas o mais interessante neste país é a sua constituição (reza a lenda que foi escrita numa noite de verão, e aposto que havia muito fumo no ar nessa noite). Vou aqui avaliar alguns dos artigos desta belíssima constituição:

Todos têm direito a morrer, mas não é uma obrigação.

Eu sempre pensei que falecer era uma chatice, e finalmente alguém eleva a liberdade para um outro nível. Toda a gente que não queira morrer deve ter liberdade para isso mesmo, e em Uzupis é mesmo isso que acontece. Deus é que não deve gostar muito desta cena, é que tenho ideia que é ele que decide quem vai ou quem não vai morrer (pelo menos tenho uma vaga ideia disso das poucas aulas de catequese em que fui prestando atenção).

Todos têm direito a andar lentamente.

Peço desculpa senhores uzupianos, mas aqui já não concordo tanto convosco. De certeza que nunca estiveram com pressa em estradas nacionais atrás de velhinhos ou tratores, é que eu já insultei muito gente assim. Eu proponho ao presidente de Uzupis que mudem para “Todos têm direito a andar lentamente, desde que não se ponham à frente de pessoas que tenham pressa” (se calhar fica grande, mas desde que a ideia fique, estejam à vontade).

Um cão tem direito a ser um cão.

Aqui eu estou de acordo. Mas atenção que pode haver para aí extremistas que possam achar este artigo limitativo dos direitos dos cães. Imaginem que há para aí cães que querem ser pomba? Talvez se esses extremistas levassem com bosta de cão-pomba na cabeça mudassem de opinião.

Um gato não é obrigado a amar o seu dono, mas deve ajudar em tempos de necessidade.

Adorava ter um gato uzupiano, porque tenho a certeza que a minha gata não me vai ajudar quando eu tiver necessidade, a não ser que saiba que em troca vai ter uma tigela de comida. E mesmo assim, se for muito complicado, ela vai sempre preferir dormir em cima do sofá. Digam lá como conseguem obrigar os vossos gatos a fazer isso que ia ser útil aqui em minha casa.

Todos têm direito de não perceber nada.

Finalmente um país tem um ponto na constituição que indiretamente faz uma referência a Game of Thrones, fazendo com que o Jon Snow passe a ser constitucional neste país (para quem não sabe do que estou a falar, por favor clique no X no canto superior direito do browser e até nunca). A única desvantagem deste ponto é que se precisamos de falar com uma pessoa destas é capaz de não chegar a lado nenhum, já que a resposta a qualquer pergunta vai ser “Não sei do que estás a falar”.

Todos têm direito a celebrar ou não celebrar o seu aniversário.

Isso quer dizer que eu neste país, se quiser, posso não passar dos 25? Ou então se calhar não passo dos 5 anos e entro de graça em todo o lado. O problema é se toda a gente pensar como eu, é capaz de não dar grande resultado.

Todos têm direito a ter irmãos, irmãs e pais.

A parte dos pais até se percebe, mas isto quer dizer que todos os casais têm de ter pelo menos 2 filhos e 2 filhas, certo? E depois imaginem que por acaso um casal vai fazendo filhos, e só saem raparigas, o casal é preso porque não deu irmãos às filhas? Isto aqui dava um imbróglio engraçado. Felizmente, com um exército de 11 pessoas, deve ser complicado fazer cumprir a constituição.

Todos têm direito a não ter direitos.

Para acabar em chave de ouro, um ponto que eleva a constituição a todo um outro nível, porque afinal, se não quisermos, podemos não cumprir nada do que esta constituição diz. Não ter direitos é brutal, mas pode ser chato, porque podemos acabar como escravos, e levar chibatadas não é comigo.

Não sei se perceberam, mas apesar de realmente terem declarado independência, isto surgiu apenas como revolução artística de um conjunto de boémios lituanos. Os cães, se quiserem, podem ser pombas à vontade.

E após toda uma descrição de uma constituição, por sinal muito mais interessante que a portuguesa, aqui me despeço. Para a semana há mais.

Tomate de Fraião

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5 thoughts on “Um tomate provavelmente inconstitucional

  1. Podes por favor indicar como chegaste a estes factos todos? Começando pelo teu conhecimento sobre esta povoação (posso chamar assim?). E, já agora, não gostei nada que dissesses que a data de independência não é aleatória e depois não nos desses o esclareciemento. É que, ao contrário dos sapos, as pessoas (homo sapiens) usam o google para outras coisas…

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    1. Caro Melão,

      Espero que esse descanso esteja a correr bem. Pelo menos está a usá-lo bem ao ler este belíssimo texto.
      Em relação a esta povoação (sim, acho que se pode chamar assim), todas as informações foram retiradas de sites muito oficiais (principalmente a wikipedia), mas não duvide da sua veracidade, já que eu não duvidei também.
      Em relação à data de independência, acho que tendo sido a 1 de abril não necessita de grandes explicações, mas como sei que nem todos os meus leitores têm a mesma capacidade de raciocínio, aqui vai uma ajuda (Dia 1 de Abril é festejado por muitos como o dia da mentira). Espero que este esclareciEmento tenha sido do seu agrado.
      Para acabar, porque isto já está a ficar grande e enfadonho, tenho apenas a dizer que o Google é um motor de busca, logo penso que o usei bem ao pesquisar estas informações. Mas diga-me por favor como é que os melões usam o Google. Agora fiquei curioso.

      Espero que tenha esclarecido todas as suas dúvidas,
      Abraços aqui do Tomate de Fraião.

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      1. Na verdade não tinha visto a data, muito menos ponderado nela, mas faz sentido.
        Já agora? Como descobriste Uzupis? Que outros povos há por aí? Os defensores de ciclovias em Braga estão a programar alguma coisa neste sentido?
        Queria ainda aqui deixar uma retificação. Quando preenchi o campo do nome, esqueci-me momentaneamente do meu sexo. Por favor considera-me Meloa, não Melão, e daquelas laranja por dentro, que para verde já chegas tu. Estas falhas de memória não são normais, mas vamos passar este assunto à frente.

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      2. Não há problema cara meloa.

        Tenha mas é cuidado no preenchimento do sexo nos documentos mais oficiais, porque parece-me que depois pode ser chato. Já imaginou pedir licença de amamentação sendo masculina no papel? Aí é que de certeza que era obrigada a fazer o teste da expressão mamária (aka, espremer mamas).
        Em relação à minha descoberta, peço desculpa, mas não posso divulgar as minhas fontes, senão os meus textos perderiam todos os milhares de leitores semanais, sempre ávidos por saber estas informações. Em relação aos restantes povos, até pode ser que haja mais textos em preparação sobre esse tema, principalmente agora que percebi o interesse demonstrado pelo mesmo. Não perca os próximos textos 😉

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