Excelentíssimo Senhor Post

Tomateiros, Tomateiras!

Ups! Será que vos saudei devidamente? E que tal:

Magnânimos Srs. Tomateiros, Exmas. Sras. Tomateiras,

Ficou melhor? Sentiram-se melhor? É adequado? Pois é, hoje falo sobre os tratamentos interpessoais visíveis no nosso país. Devem estar à espera que eu deite já tudo abaixo e afirma que devemos ser todos maninhos e big brothers. Não. Hoje sugiro uma reflexão sobre a forma como conversamos com outras pessoas em situações formais e informais.

Defendo que seja importante haver uma distinção de tratamento dentro de organizações e na sociedade, inclusive para haver uma distinção na hierarquia (desculpa Marx, Fidel e Jerónimo).

Vou formular um diálogo que provavelmente tive algumas vezes durante todos estes anos de estudante:

– Senhor Professor, pode chegar aqui? Tenho uma dúvida para o Senhor Professor esclarecer.
Com certeza, Tomate de Niterói.
– O Senhor Professor referiu no quadro que os tomates são frutos, e no entanto na sebenta do Senhor Professor diz que são legumes. Senhor Professor, diga por favor qual está correto.
São *******.
– Obrigado Senhor Professor. Senhor Professor, se tiver outra dúvida chamo o Senhor Professor. Pode ser, Senhor Professor?
Sim.

E isto é para “Senhor Professor”, imaginem com Sr. Prof. Dr.!

Alto! Dr. ou Doutor? Pois é, são situações diferentes… Doutor é doutorado, Dr. é licenciado … E mestres são o quê? São como o Yoda. Mestres. Que bonito! Legal!

Voltando à situação do Professor, não há volta a dar. Substituir por “você” é uma super ofensa! Vi muitos a levar um raspanete por causa disto. No fundo deve ser uma forma para aumentar a capacidade dos alunos formularem frases.

Vamos a outro diálogo, agora entre dois indivíduos no IEFP mais próximo de si:

– Bom dia Exmo. Senhor Professor Doutor, posso fazer-lhe uma pergunta?
Bom dia Exmo. Senhor Professor Doutor, V. Exa. esteja à vontade. Pode tratar-me por Senhor Doutor.
– Perdão, perdão, meu caro Senhor Doutor, mas devo tratá-lo como Senhor Doutor ou Senhor Doutor (Dr.)? Eu sou apenas Mestre.
– Ó Mestre, não diga que é “apenas” Mestre, eu sou Doutor (Dr.). O que o Mestre pretende saber?
– Obrigado por sua cordialidade Senhor Doutor “dê-érre”. Pode-me dizer as horas?
O prazer é todo meu Mestre. Não tenho relógio.
– Agradecido Senhor Doutor “dê-érre”. Saudações cordiais.
À sua disposição Mestre. Mui respeitosamente.

E depois disto, apresento agora um terceiro diálogo. Este verídico e aconteceu comigo quando estava no secundário. Para enquadramento da história apenas precisam de saber que o bar da escola fazia uns panikes deliciosos, que por vezes espalhavam aquele cheirinho pela escola, atraindo dezenas de gordinhos, como eu. Bem, eu estava num furo à tarde e a grande sala que tinha o bar no canto encontrava-se vazia. Não havia cheirinho de panikes, mas eu como sou um gordinho mais agressivo, apetecia-me um de chocolate. Dirigi-me com um amigo ao bar. E perguntei:

– Tem panikes de chocolate?

Ao que a funcionária respondeu:

– Não, não temos.

E eu como gordinho de desejos próprios disse:

– Deixe lá então, obrigado.

E voltei as costas e comecei a percorrer a grande sala. Começo a ouvir uns ruídos quando vou, mais ou menos, a meio da sala. Não liguei. Passado um bocado ouço alguém a gritar:

– Ó burro! Ó burro!

E eu virei. Sim. Era para mim. Afinal havia panikes de chocolate. Incrédulo dirigi-me ao bar e comprei um panike. A funcionária, envergonhada, disse-me:

– Desculpa-lá, não sabia o teu nome.

Oxalá ela tivesse me chamado Exmo. Senhor. Doutor… Não! Não guardo remorsos nenhuns, e o que interesse, é que ri-me muito com a situação. E títulos grandes em situações que envolvem panikes de chocolate não fazem sentido nenhum!

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Cover da semana:

Existe um tutorial desta versão na página do artista. Alguma dúvida entrem em contacto.

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Não coma só tomates, coma também banana e até para a semana!

Tomate de Niterói

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5 thoughts on “Excelentíssimo Senhor Post

  1. Eu conheço um “SENHOR-DOUTOR- DR.- MESTRE” que um dia da semana resolveu ir cortar o cabelo a hora do almoço.
    Quando sentou-se na cadeira do barbeiro , este perguntou-lhe: o Sr. está internado aqui há muito tempo?
    Ao que o “SENHOR-DOUTOR-DR-MESTRE”respondeu: é.., mas ….. tenho licença para sair.
    Concluo que : nem tudo que reluz é ouro e que nem tudo que é ouro reluz.
    Essência ou aparência? Conteúdo ou forma?
    Tomateiros e Tomateiras façam as suas escolhas.

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    1. Conheço bem essa história! O caro leitor anónimo esqueceu-se de referenciar que o “SENHOR-DOUTOR-DR.-MESTRE” trabalha num hospital psiquiátrico, ou seja, não foi confundido com um “internado”, mas sim com um “internado maluquinho” 🙂
      Quanto à essência ou à aparência, talvez numa próxima quarta-feira 🙂

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  2. Eu tinha um Senhor Professor que quando alguém se dirigia a ele com um “você” ele respondia com um “você é a tua tia de bigodes que tira bolas de chulé com um alicate”. Andava eu no quinto ano. Mas agora não se pode gozar porque ele já morreu. Obrigado por este espaço 🙂

    Liked by 1 person

  3. Só para efeitos de registo, hoje fui ao IEFP. Fui atendido por um Senhor extremamente simpático que me desejou a maior das felicidades e também encontrei um Senhor Doutor com um boné de pala rija que dizia “chicago” atrás e “I (coração) haters!”.

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