Capítulo Segundo – A páscoa e o Luismatismo

     E terminou a páscoa! É verdade, depois de quarenta dias de jejum tudo pode voltar ao normal. Sobretudo no que se refere à semana santa, que eu sei que os meus leitores são religiosos e não cometeram excessos. E a maior prova de que não se cometeram excessos é ver um ginásio perto de casa com a gente nova que lá está, como no natal.

     Ao contrário do natal, a páscoa não tem uma data fixa e tão depressa é no 22 de março como no 25 de abril. Dizem por aí que é por causa de solstícios e carnavais, mas eu não acredito nessas coisas do demónio. Uma coisa tão bonita não se pode reger pelo Sol nem pelo abanar de bumbuns no Brasil. Pois eu vou tecer a minha teoria, baseada em fatos reais e que advém dos meus profundos conhecimentos bíblicos.

     Primeiro vamos ao nome, páscoa. Páscoa era algo que já existia, era uma celebração primeiramente pagã e depois judaica. Eu, se fosse daquele tempo também queria uma coisa dessas só para mim. Já imaginaram o que era:

– Já foste ao Alive do Tomate do Bárrio este ano? Não. Olha que devias! Arranjas um tempinho, comes menos nestes dias, cortas na carne, e depois aproveitas. Bebes uns copos valentes e comes porcaria com fartura.

     Usei o Alive porque me parece uma festa das grandes e porque posso fazer uma clara referência à páscoa (se não chegaram lá sozinhos, estou desiludido), mas também podia ser a Malafaia, pelo menos pelo que eles dizem.

     Ele juntou doze RP´s, há quem lhes chame apóstolos. Mas soube de fonte segura que Ele lhes chamava “crew”, maninhos, ou irmãos de outra mãe (naquele tempo o Pai era sempre o mesmo). Doze eram poucos, porque transportar pão e vinho com aquele calor devia custar. Melhor, não era nada difícil, levavam apenas um pãozinho, uma sardinha e uma saqueta de sunquick de tintol, e quando lá chegavam Ele fazia das artimanhas dele. Ficavam já com vinho para mais de quarenta copos.

     E é desta difícil jornada que vem a data da páscoa, do tempo que é preciso para repor os stocks de comida e bebida que foram gastos no carnaval. Em Portugal, quando se fazem os calendários, os primeiros a ser consultados são as câmaras municipais de Torres Vedras e Ovar. Elas decidem o dia do carnaval e os dias até à páscoa são os necessários para comprar mais cerveja. Se calhar deviam perder mais tempo a prever o tempo, ou mudar lá mais para o verão. Ver gordinhas de Torres Vedras e matrafonas a abanar o seu rabo regelado com as temperaturas do início de fevereiro não é bonito. Bonito, bonito é ver quando está calor, e nestas festas grandes há sempre gente de sunga que se abana demais. E só para verem como isto é tudo uma festa, o termo “páscoa” vem do latim Pascha. Se não usaram a vossa camisinha branca com um galgo no lugar do bolso, não temam, que para o ano há mais. Mais, o termo quaresma tem claramente origens ciganas, pelo menos é a ideia que tenho, nem sei bem porquê. E eles dão as melhores festas, pelo menos os casamentos e feiras. Mas aí já não sugiro que levem as camisas brancas com galgo no bolso, porque podem voltar para casa em pelota.

     Eu não quero estar aqui a levantar falsos testemunhos, nem dos ciganos nem do JC, mas Ele fazia uns truques muito jeitosos para a altura. Talvez fosse o maior mágico desse tempo. Nos nossos dias seria mais difícil, mas as qualidades do Luís de Matos aliadas à retórica do Secretário-Geral da CGTP (qualquer um, é indiferente) talvez pudessem originar uma nova religião. Podia ser das pequenas, como a dos Jeovás ou o movimento raelano (não sabem o que é? Esta semana ainda descobrem), mas não deixava de ser deles. O Luismatismo, usava bandeiras como o mendigo cortado em dois que é colado, o Mustang desaparecido de um armazém, salários vitalícios para os trabalhadores da CP. Isto sim são milagres! Se bem que aquele de transformar água em vinho dá mais jeito nestas coisas das festas. Quando o Luís, o Grande, conseguir fazer isso, estou convertido!

 

Ó Tomate, não entendi a referência do Alive!

Alive foi o que as pessoas gritaram no domingo de páscoa, mas em hebraico.

 

                                               Tomate do Bárrio

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