Amigo, a Salada está contigo

Cumprimentos queridos leitores,

Estavam com muitas saudades deste vosso tomate? Talvez não. Mas se estão a ler isto, é porque ficaram com muita curiosidade sobre a situação económico-financeira do Butão. Pois, eu também…. Mas parece que a única coisa interessante em relação a este país é o nome da moeda que é completamente impossível de pronunciar – sim, estou mesmo a falar do ngultrum. Para aqueles que querem sair do euro, imaginem ter de pagar coisas em ngultrums e chhertum (os nossos cêntimos). Ah pois é meus amigos, mais vale estar no euro e conseguir chegar a uma loja sem terem de se cuspir todos a dizer preços.

Mas vamos mudar de tema, porque os exemplos que vos dei a semana passada eram mesmo muito fracos e nem sequer a Banda Filarmónica de Vale da Gaita dá para esmiuçar. Talvez fiquem chateados comigo e muito surpresos com esta revelação, mas não existe uma Banda Filarmónica em Vale da Gaita. Pena, porque até eu os convidava a vir aqui ao norte só por causa da musicalidade do seu nome. Mas para os leitores que sejam dessa bela terra, convido-vos a criarem um movimento filarmónico. Aposto que as 10 pessoas que moram nesta aldeia ficaram radiantes para estar a falar especificamente para eles.

Mas pronto, hoje queria falar-vos do povo português. Sim, porque eu sou um tomate patriota e adoro este nosso povo quente, bem-disposto, acolhedor, melancólico e pacato. E é desta parte do pacato que venho falar hoje… Não somos como os americanos que andam aos tiros quando não lhes põem bacon nos hambúrgueres, ou como os americanos que andam à pancada num festival de abóboras, ou como os americanos que destroem cidades quando ganham jogos de basebol. Espera, estou a ver aqui um padrão, mas esqueçam que hoje não me apetece falar da estupidez americana.

Voltando ao assunto, nós somos pessoas pacíficas. Podem-nos cortar salários, cortar em férias, aumentar os horários ou aumentar impostos e até podemos fazer umas marchas pelas ruas… Mas nunca fazemos daqueles protestos a sério, que têm cocktails molotov a voar, balas de borracha a ser disparadas ou carros a arder. Mas também não somos como os gregos, que partem tudo e ficam sempre na mesma. Nós, que somos uns coninhas, basta termos um bocado de calor para irmos para a praia e esquecemos logo tudo. Mas atenção, nem tudo é mau, nós conseguimos revoltar-nos também. Principalmente quando prendem os heróis do nosso país, aqueles que nós idolatramos e pelos quais dávamos a vida. Sim, estou a falar do famoso Recluso 44. Apesar de não querer discutir aqui se ele é ou não culpado (claro que é), até porque ainda não sou jurista ou jornalista da CMTV; quero apenas dizer aqui uma coisa:

O Sócrates não é um preso político, é apenas um político preso

Agora que já chamei a vossa atenção, vamos lá ver uma coisa. Vocês que andam a gritar “Sócrates, amigo, o povo está contigo”, estão a fazer tudo mal. Porque das duas uma: ou daqui a pouco o Sócrates vos está a pedir a todos 10 milhões por causa da vossa categoria de amigos, ou então poderiam estar a ganhar 10 milhões, bastando irem para Lisboa em vez de Évora (a viagem até era mais perto e havia mais coisas para fazer nos tempos mortos) e em vez de gritarem pelo Sócrates, gritavam pelo Santos Silva.

Além dos gritos de guerra, agora há também músicas que visam chamar a atenção de todos para este drama social que é a prisão preventiva de uma pessoa (atenção, que este parece ser um mecanismo inventado nos últimos meses só para lixar socialistas). Estes dois hinos são belissimamente cantadas, com melodias e harmonias a invejar o melhor da música nacional, mas a letra é de uma poesia e de uma profundidade que toca qualquer um. Num dos hinos, o refrão é apenas:

Sócrates sempre presente

É de mim ou o Sócrates é um quéfrô? A quantidade de vezes que ele nos impingia PECs era semelhante aos indianos que só se calam quando lhe compramos uma frô. Ou isso ou é Deus. Tendo em conta a pequena quantidade de pessoas religiosas hoje em dia, se calhar o número de Socráticos praticantes é maior que o número de católicos. Até peregrinações a Évora há. Fátima que tenha cuidado, senão qualquer dia só se passa lá como passagem para Évora.

O segundo hino tem uma letra muito particular, com uma métrica e rima que invejam o Fernando Pessoa (aposto que ele está a dar voltas no caixão). Estes são os primeiros versos:

Era uma vez uma criança
Que sonhava ver nos montes, ventoinhas a rodar
E depois vieram outras crianças
Que fizeram o amigo Magalhães para estudar

Primeiro, estes poetas conseguiram rimar “criança” com “crianças”. Lembrei-me logo da famosa música que pôs T2 a rimar com dois (mas pensando bem, essa rima consegue ser melhor). Depois, posso ser só eu, mas isto parece-me plágio de Tony Carreira (em que havia um menino que sonhava ser cantor) com os Irmões Caxias (em que havia uma criança que tinha esperança de ir para a França). Vejam lá se não têm de pagar milhões como o Pharrel Williams, e o dinheiro do Sócrates não deve estar disponível. Além disso, tendo em conta que é suposto falar bem do Sr Sócrates, não percebo como o descrevem como uma criança que sonhava com ventoinhas nos montes. Se eu tivesse um amigo assim, nunca o iria escolher para a equipa do futebol. Aposto que ninguém gostava dele quando era puto (exceto o Carlos Santos Silva, claramente). Em relação ao refrão, vou-vos maçar apenas com um verso:

Obrigado José Sócrates, obrigado pela vida

Eu não sei quanto a vocês, mas este senhor (felizmente) não é responsável pela minha vida. Ou esta é apenas mais uma referência à figura divina desta pessoa, ou esta letra foi escrita numa noite em Amesterdão.

Para finalizar queria apenas fazer mais umas considerações para os malucos que andam por Évora a cantar:

1- Amigos, não “somos todos Sócrates”, como muitos andam a dizer em Évora. Apesar de o povo português ser, na sua natureza, bastante corrupto, acho que não andamos aí todos a viver como reis em Paris

2- Não façam afirmações deste tipo “Ai então agora um homem escreve um livro e depois dizem que o livro não é dele?? Fascistas!”. Eu sei que sou um tomate novinho, mas sei que é possível contrariar o que alguém diz e não ser fascista. Agora acusar toda a gente de fascista só porque acusam alguém de algo, já começa a ser extremista, e talvez um pouco fascista.

E pronto, aqui acaba mais um texto deste vosso querido tomate. Por vossa causa fiquei com 2 músicas horríveis na minha cabeça. Veremos se para a semana já tenho outras, senão vou-me vingar em vocês e vou arranjar temas ainda mais maçadores.

Tomate de Fraião

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