Vi um OVNI. E agora?

Olá a todos os leitores,

Como têm corrido estas semanas sem lerem um texto meu? Provavelmente igual, mas tenho sempre esperança que estes meus textos inspirem alguém a fazer algo fenomenal com a sua vida. Hoje é um desses dias, porque venho apresentar-vos uma temática que irá alterar toda a vossa vida daqui para diante: o fenómeno da Ovnilogia.

Para quem não sabe, esta é a “ciência” que estuda os relatos e registos visuais relacionados com OVNIS. Sim, sei que um colega tomateiro já vos falou do Movimento Raeliano, mas aqui não vou falar de embaixadas extraterrestres em Portugal, mas sim daquelas pessoas que veem coisas estranhas a voar. Alguém sabia que em Portugal existe uma Associação de Pesquisa Ovni e uma Sociedade Portuguesa de Ovnilogia? Ah pois é, porque os portugueses estão sempre à frente em todos os temas da atualidade, e o que precisamos é de dois conjuntos de tolinhos a falar de coisas que se veem no ar. Mas estas pessoas têm um árduo trabalho, porque fazem um levantamento de todos os avistamentos de Ovnis no país, e até fizeram uma lista de conselhos sobre como agir se uma pessoa vir uma coisa destas, por exemplo:

“Deixe que sejam eles a tomar a iniciativa do contacto. Por vezes o interesse deles está na busca de plantas ou pedras e não em você.”

Eles dizem que só por vezes é que o interesse não é em nós, mas mesmo assim devemos esperar que eles tomem a iniciativa do contacto? Isto é como se fôssemos a um safari e víamos um leão todo contente a correr em nossa direção. Devíamos então ir a correr abraçá-lo? Algo que me diz que íamos acabar com menos uma perna, mas o que interessa é que os ETs podem só estar a imitar os escuteiros e andar a colher plantinhas.

“Se puder envie-lhes pensamentos de boas vindas e pergunte-lhes se eles querem a sua ajuda nalguma coisa. Lembre-se que muitos deles são telepatas.”

Gostava de perguntar a estes senhores quantos ET’s já viram para saber que muitos são telepatas, mas é sempre uma informação importante de se ter. Eu acho é que ficava a pensar constantemente nos números do Euromilhões, podia ser que eles adivinhassem o futuro e me dissessem. Bem melhor do que pensar na paz intergaláctica.

“Eles poderão tentar falar consigo ou fazer gestos ou mentalmente fazerem-se perceber, por isso procure obter explicações técnicas do funcionamento da nave e de outros aparelhos, assim como tente saber donde eles vêm.”

Agora também precisamos de ser mecânicos aeronáuticos para poder falar com ET’s? Isto já se começa a tornar um bocado complicado. É que nunca tive muito jeito para conversas sobre carros, e diria que Naves Espaciais vindas de um sítio distante devem ser mais complicadas.
Concluindo, eu faria um documento igual a este, muito mais curto e com muito menos palavras. Seria alguma coisa tipo:

“Se vir um OVNI, por favor deixe as drogas, por vezes fazem ver luzes estranhas onde não existem. Dirija-se por favor à Ala Psiquiátrica mais próxima.”

Digam-me lá se não é um documento mais conciso, mais direto, e construído com muito mais verdade científica? Eu acho que sim. Mas uma coisa muito interessante de analisar são os relatos de pessoas que dizem que viram OVNIS. Vamos então começar com ETs que dão cores de cabeça.

“Ontem eu vi uma estrela dançante. A mesma estrela que eu vejo todos os dias. Só que ontem estava vermelha e quando eu a vi, ela emitiu uma onda de luz multicolor que se propagou no espaço para mim que me fez ficar com um formigueiro no centro da testa que rapidamente passou para uma sensação de pressão seguida de dor intensa. Senti uma dor muito forte dentro da cabeça e uma bola de luz enorme cresceu dentro da minha cabeça como se quisesse entrar dentro de um local e não tivesse espaço para se instalar.”

Estão a ver? Isto claramente não é uma ressaca nem nada. Aposto que o Sr que sentiu isto tinha acabado de beber um garrafão de vinho tinto de tolada. Depois é claro que começa a sentir bolas de luz na cabeça. Se pensarmos bem isto podia ser muita coisa (principalmente diferentes combinações de álcool e drogas), mas duvido que um ET fosse ter com um um ser humano só para lhe pôr uma estrela na testa. Provavelmente posso ser só eu que sou muito cético, mas custa-me mesmo a acreditar.

Segundo exemplo, uma senhora que falou com um ET ao telefone:

“Um dia marquei muitos números juntos, talvez uns 20 algarismos, esse numero de telefone era composto pelos algarismos 0 e 1, agora podemos chamar-lhe de linguagem binária e terminava com o algarismo 9. Nem coloquei moedas e nem chegou a chamar veio de imediato a voz dum homem ao telefone, que me disse “olá” em português, eu perguntei quem fala? Ele respondeu (ando por aí). A partir daí começou a dizer o sitio que estávamos a cor e o tipo da minha roupa, as cuecas que usava, o sutiã que não usava, o meu nome, tudo sobre mim, todos os dias falava com ele sabia como portava-me na escola, eu inocente vestia-me bonita para ele me dar elogios que roupa ficava bem com tudo o resto que tinha vestido.”

A história continua mais, e a rapariga parece que falava com o ET todos os dias, mas só gostava de dizer que tenho quase, quase, quase, quase a certeza que devia ser um homem doente e não um ET. Espero que realmente ela nunca tenha encontrado o ET ao vivo. Era capaz de ter corrido um bocado mal.

E para não pensarem que este tema caiu do céu (perceberam o trocadilho?), ficam a saber que estou a comemorar o Dia Mundial do OVNI (um destes dias ainda me vão apanhar a falar sobre a quantidade de dias que existem por aí). Sei que já passou quase um mês deste dia, e peço desculpa por vir atrasado, mas os portugueses lembraram-se de pôr a festa de São João no mesmo dia, então uma pessoa acaba por se esquecer deste importante dia sobre o OVNI. Espero que um ET não fique chateado e me venha chatear aqui na minha calma, porque não lhe vou abrir a porta.

Tomate de Fraião

Anúncios

Capítulo Décimo Quinto – O Tomate vai à praia

Caros Cidadãos,

     A Europa está uma desgraça, a Grécia a falir, a Doutora Maria Barroso morreu, o Casillas está no Porto, ao que parece a Sara Carbonero não quer ir para lá, a Guerra dos Tronos só volta para o ano, e mesmo assim não tenho grandes ideias para o tema desta semana. E é por esta razão que vou falar sobre o verão em geral, e sobre os diferentes tipos de pessoas na praia em particular.

     Com esta subida de temperatura é um regalo sair à rua, sinto-me num programa do BBC Vida Selvagem. Existe uma variedade de espécies à solta, não só no mais comum passeio ou rua, mas sobretudo nas praias. Quando se chega ao local escolhido para se passar uma agradável tarde de domingo, besuntado de protetor solar e esperançoso que esteja um tempo favorável a isso, existem vários contratempos que se encontram no nosso caminho.

Dificuldade em chegar à praia

     Não sei se é mal comum, mas parece que toda a gente vai para a mesma praia que eu. Pior! Parece que cada elemento da família levou o seu próprio carro. Seja na fila para chegar ao parque de estacionamento, seja no parque de estacionamento propriamente dito. Depois de se chegar à praia, por vezes, fica-se com a ideia que as pessoas foram estacionar lá de propósito e foram fazer uma caminhada de vinte quilómetros em direção a algum restaurante.

Dificuldade em arranjar local para a toalha

     Depois da tarefa hercúlea de estacionamento do carro, segue-se o estacionamento da toalha. Claro que esta tarefa vai sendo dificultada com o avançar da hora. E com este avançar da hora quero dizer que a partir das onze, horinha do cancro, já não existe espaço para toalhas. Não existe por diversas razões. Entre famílias inteiras com direito a para-ventos, guarda-sóis, arcas frigoríficas, fogareiros ou Boeings 747, ou os saradões da praia, saídos da última edição da casa dos segredos, a jogar o seu futevólei ou lá o que é aquilo, com o campo marcado no chão. Ai de quem poise uma toalhinha naquele espaço, leva logo uma bolada nas trombas. Quando não é uma bolada é um guarda-sol, porque alguém não conseguiu enterrar (ou enarear se é que isso existe) aquela porcaria devidamente.

Espécies Raras

     Esperava eu que fossem raras, mas nestes dias nem são tanto quanto desejado. Existem vários tipos de pessoas que frequentam as nossas praias e eu vou tentar elaborar uma lista. Preparem-se para me acusar de body shaming, bullying ou de ser antiquado, mas neste momento já estou muito embrenhado nesta descrição.

     Já vos falei dos saradões, com os seus corpos esculturados, calções como cuecas ou sungas como fio dental, exibem os seus abdominais, peitorais ou pernas. Trabalharam para aquilo o ano todo, há que mostrar. Quando se levantam da toalha fazem umas dez ou vinte flexões, e vão até à água sem respirar, só para andarem bombados. Não se esqueçam da tatuagem, a rica da tatuagem.

     E eles impressionam quem? A bela da menina saradona, aquela que exibe os seus enormes glúteos que teimam em comer o bikini que compraram dois números abaixo. Também ela se candidatou à última casa dos segredos, mas como ainda não tinha faturado um número considerável de celebridades não foi aceite.

     Depois há o reverso da medalha, os que não trabalharam o seu escultural corpo. Ou melhor, trabalharam tanto que inchou. Quem nunca viu um senhor com os seus cem quilos, respectivo colete de pelo e a bela da cueca do speedo a condizer? Ou a menina dos cento e vinte com a mesma cueca engolida pelo enorme traseiro? Mas ninguém lhe diz nada, ou porque não tem amigos sinceros ou porque podem ser acusados de ser muito conservadores.

As crianças

     O maior flagelo das nossas praias. Podíamos ter tubarões, salmonelas, piranhas ou caranguejos assassinos mas não, temos crianças! Não estou a falar das crianças muito calminhas a fazer o seu castelo na areia, estou a falar daquelas que não param de correr, atiram areia para cima das pessoas e não param de berrar. Nem todos os tubarões matam gente, mas há uns que estragam a fama de todos. E ai de quem diga alguma coisa aos meninos, porque eles são o melhor do mundo e a infância é para ser vivida. Claro que é, mas os pais quando os levarem para a praia que lhes comprem uma Nintendo para eles se entreterem e não chatearem ninguém.

Ir à água

     Sabe sempre bem ir à água num longo dia de verão em que se apanha sol. Mas a água nunca está boa. Ou muito fria, ou muito quente, ou muitas ondas, ou muito calma, muitas rochas, poucas rochas, muitas algas, poucas algas (nunca ouvi ninguém queixar-se da falta de algas, mas fica aqui por motivos de escárnio). Há sempre alguém que se queixa e que aquela praia na cochichina é que era espetacular. Claro que ele podia ter avisado mais cedo, mas não queria uma tamanha responsabilidade.

O retorno a casa

     Se forem de manhã e conseguirem arranjar lugar facilmente, provavelmente na hora de voltarem ao carro têm um vermelhão e cancro da pele em quatro locais distintos do corpo. Caminhar descalço na areia a fervilhar é outro tormento. Não bastavam os cancros nas costas, ainda se arranjam queimaduras de terceiro grau na sola dos pés. Mas escusado será dizer que as pessoas que foram almoçar ao tal restaurante a vinte quilómetros também têm de voltar a casa, portanto preparem-se para mais uma longa fila de espera. À espera no vosso rico carrinho, que deve estar a quarenta graus, com um escaldão nas costas e com areia dentro dos calções.

Ai que ir à praia é uma experiência enriquecedora!

Tomate do Bárrio

Ó Tomate, tu deves ser muito estranho na praia.

Provavelmente sim, esta lista implicou muita observação, por isso eu devia parecer as pessoas assustadoras que olham para tudo e todos, outra categoria.

Novas tecnologias sem pecado – o futuro

Ora muito boa tarde a todos os nossos leitores,

Portanto, aqui a Salada entrou em modo férias, e tocou-me a mim iniciar este aguardado período. Aguardado por mim, que vou descansar, e por vocês que não vão levar com tomates todos os dias.

Ora, o tema que hoje vos trago está relacionado com religião, e como muitas pessoas desejam viver numa bolha. Isto porque os Cristãos Evangélicos do Brasil criaram um rede social chamada Faceglória. Recomendo visitarem a homepage para serem recebidos com uma bonita e encorajadora mensagem da Carla Bruna. Toda a gente sabe que no Brasil não há grandes restrições de nomes e este até não é o pior, mas eu desconfio que esse nome foi uma vingança mesquinha dos pais por uma gravidez não planeada. Voltando ao Faceglória, o propósito de tal rede social é ser uma substituta do Facebook, mas sem pecados. Por exemplo, não há cá homossexualidade nessa rede. Porque Deus fez o homem e fez a mulher, um com chave, outra com fechadura. Tudo o resto não é natural e é pecado. Pois eu gostava de ouvir alguém citar a bíblia, dizendo “Discriminai o próximo, pois ele não sabe o que faz”. O mesmo se passa na Igreja Católica. Se algum padre lê este blog, eu gostava que dissesse nos comentários que nunca levantou a tenda, pois se sexo é para procriar, então não devia ser natural um homem ficar armado com a mais leve das aragens. A procriação deveria ser um momento de cumplicidade. Chegavam lá o homem e a mulher e diziam “sim senhor, vamos a isso” e o homem ganhava poderes mágicos, pois se é natural, Deus investiria o seu poder nele. Mas voltemos ao Faceglória. Além de não serem permitidos homossexuais, há mais de 600 termos censurados. Parece-me que metade deste texto estaria escondido sob asteriscos neste momento. Há também 20 polícias morais a patrulhar a rede. Ao que parece, a liberdade de expressão não deve ser lá muito natural também. Em vez de likes, coloca-se amens. E nisto eu concordo e acho que o Facebook devia copiar, já que as únicas vezes em que eu dou graças a Deus no Facebook é quando vejo uma foto de uma mulher bonita, e não sou religioso. Como disse no meu post anterior, a minha fé não foi recompensada quando mais pedi.

Mas, como já referi, o que eu acho pior é a vontade que algumas pessoas têm em viver numa bolha, alheados da realidade, num universo sem pecado. O que é viver sem pecado? É ir à missa todas as semanas? Se é, então depois pode-se bem chegar a casa e bater em toda a família; principalmente se se for um protótipo de heterossexualidade. Ou então arranjar intrigas no seio de outras famílias, desde que depois se faça a doaçãozinha para a fabriqueira, para a capelinha dos milagres, para o seminário…

Mas se querem viver numa bolhinha, eu estou cheio de ideias e só espero um parceiro que queira ser sócio. Toda a gente conhece o Tinder? Pois eu sugiro uma variante mais ao jeito do decoro. O critério de escolha deixaria de ser puramente libidinoso. Para a esquerda iriam as Maria Madalenas deste mundo. Para a direita as puras (e chatas) donzelas. E teria uma inovação. Quantos de vós não tiveram uma dúvida no Tinder e tiveram que mandar para a esquerda por causa dos limites de gostos? Por isso, eu sugiro incluir o movimento para cima. Enviava-se a rapariga para o purgatório e, mais tarde, quando abandonasse o seu decotezinho em favor de uma golinha alta, estava pronta para ir para a direita. Mais, podia-se incluir publicidade paga amiga do Senhor. Por exemplo, ensinar a técnica do coito interrompido, que as outras formas de controlo de natalidade (ou doenças) são pecado.

Os videojogos também são obra do Demo. Portanto, uma das minhas ideias intitula-se “Need For Speed: Moses Wanted”. Toda a gente sabe que os judeus tiveram que andar a todo o pano quando decidiram seguir Moisés para fugir dos egípcios. Pois aqui podíamos assumir o papel de Moisés e quitar os burrinhos, ou fazer upgrades para cavalos. E ainda se dava a conhecer a história bíblica. Ou então: “The Holy Scrolls: Skylimit”. O jogador encarnava um missionário que deveria andar pelo mundo a pregar a sua fé, enquanto se socorria de água benta, ou simples levar na tromba a.k.a. dar a outra face, para confrontar os infiéis. Numa vertente mais antiga, para ensinar conceitos de guerra santa durante as cruzadas, com um bocado de sangue e misticismo teríamos o “The Preacher 3: Infidel Hunt”. Temos ainda o “Call of Deity: Modern Homilies”, onde o objetivo é metralhar citações bíblicas a tudo que mexe.

E pronto, hoje o texto foi meio delirante, meio estúpidó-parvo, mas são férias, por isso pode-se.

Tomate de Barcelos

pope_a

Aviso – Modo férias

     A partir desta semana a Salada de Tomates entra em modo férias, também merecemos! Mas atenção que todas as semanas continuarão a ser alvo desta arte que se faz por cá. Haverá a semana de segunda e quinta (Tomate do Bárrio e Tomate de Fraião), a semana de terça e sexta (Tomate de Ferreiros e Tomate de Niterói) e semana de quarta e sábado (Tomate de Barcelos e Tomate da Lixa). Depois dá a volta e repete-se o ciclo, fácil. Esta semana irá iniciar-se com posts dos Tomates de Barcelos e Lixa, porque começar do fim é mais aventureiro e arriscado. Os Tomates convidados vão continuar no mesmo modelo: aos domingos e quando houver.

     Obrigado pela compreensão e desculpas aos nossos leitores (ou leitora) mais fervorosa!

Um jogo sem prolongamento

Auspiciosas saudações aos mui dignos Tomateiros que me honram com a vossa seleta leitura. Ó representantes máximos do excelso “Solanum Lycopersicum” fico deveras lisonjeado pelo convite de, por breves instantes, ser alvo de vossa atenção.

O tema que irei, em rápidas pinceladas, desenvolver é algo ao mesmo tempo concreto e abstrato que não se aproxima, é verdade, dos herméticos pensamentos do grande filósofo pós-futebolístico J.J.

O tema é o tempo, de forma mais detalhada de como falamos do tempo. Ouço expressões que simplesmente desafiam a minha combalida lógica. Gostaria de reparti-las com esses frutos advindos da América (os tomates, é claro).

Em primeiro lugar, causa-me surpresa (e um pouco de irritação) quando em minha vida profissional ocorre  o seguinte diálogo:

“Qual é a idade do senhor?”

“Vou fazer 58 anos.”

Tenho que controlar-me para não dizer: “O senhor não tem certeza nenhuma que vai fazer 58 anos”. Porém, pela repetição dessa “aventura para o futuro parte V” desisti de contrapor qualquer argumento. A forma pela qual devemos tratar as pessoas também deturpam o tempo. Um exemplo? Lá vai:

Porque tenho que chamar de “menina” uma mulher de 53 anos que certamente foi uma das primeiras a ler a tradução portuguesa do Kama Sutra?

Uma outra vertente é dada por aquela pessoa que acredita ser o centro do tempo (desculpas Einstein), lá vai mais uma demonstração:

“Boa tarde.”

“Ainda não é boa tarde pois não almocei.”

Esqueçam a gravidade, a teoria das cordas, a matéria escura, para essas pessoas o Universo é regido pelo roncar da sua barriga (não é um argumento visceral). Somos culpados de tratarmos o tempo com a marca da imprecisão. Não é verdade que marcamos encontros para “oito e pico”? Qual “pico”? É um sutil teste de geografia? Responda o Kilimanjaro fica na…

Não sentimos, por vezes, o tempo a passar mas ele nos atravessa tal qual os raios infravermelhos que não vemos, mas que nos dão a sensação térmica na nossa pele. O momento típico de sentir, na pele, o tempo é como na situação abaixo referida: tu entras numa loja, observas à volta, os teus olhos pousam na bonita rapariga atrás do segundo balcão, partes resoluto, frente a frente ela sorri (que lindo sorriso) e diz pausadamente: “o senhor deseja alguma coisa?”. É uma sensação e constatação semelhantes – penso eu – àquele acontecimento em Hiroxima. “A ficha caiu”, você é um senhor. Um otimista diria “com todos os pontos positivos que isso acarreta”. Não sei. Temo que os otimistas, em exagero, no fundo sejam mal informados.

“Ó velho tomateiro…” (observe a colocação do adjetivo) “…ainda não explicastes que jogo é esse sem prolongamento.” Chega de “conversinha”. Bem, lá vai.

O jogo é o tempo da vida que temos a viver.

Esse único tempo que temos nas mãos escolham o que vão fazer com ele: vê-lo passar diante dos vossos olhos, lamentar o que não aconteceu, chorar pelo adeus da morena… Um sábio disse uma vez que só temos o tempo presente. O passado é o presente que já foi, o futuro é o presente que será. Podemos fazer com o tempo umas coisas muito interessantes. Podemos repartir o tempo com a família, os amigos ou com a parceira amada. Podemos também dar o tempo. O choro de criança que vem do quarto é prova disso. Podemos, até, ver o tempo que já passou ao contemplar um céu estrelado.

Os grandes Tomateiros Romanos (tem que possuir tomates para construir um império) cunharam uma expressão que nos abrirá os olhos: Carpe diem. Para que não haja confusões com o termo latino, a ideia e a tradução é a seguinte: Colha o dia, saboreie bem o presente, mas não deves recusar toda e qualquer disciplina na vida. Porque isso afinal? Porque, a bem da verdade, o futuro é incerto e tudo é destinado a desaparecer. Ou dito de outra forma, e já terminando: voltaremos de onde viemos, do pó das estrelas.

Teriamos em mãos: um misto de prazer, responsabilidade e reverência do Senhor Tempo que passa e passará. A próxima colheita de tomates avizinha-se.

Profundas saudações tomateiras!

O convidado Tomate de São Gonçalo do Amarante (Rio de Janeiro)

Vamos salvar o entretenimento e a arte!

Caros Tomates sedentos por entretenimento e arte, desde as séries, passando pelos filmes e acabando na música,

Numa semana em que o Apple Music começou a sua actividade e em que a série Hannibal foi cancelada (ver o post do meu colega Tomate de Ferreiros), gostaria de falar da proliferação dos serviços de streaming e com conteúdos à la carte, e na mudança que é necessário fazer (e alguma já está a ser feita) tanto do lado dos consumidores como dos fornecedores.

Para resolver grande parte do problema da pirataria deve ser dado, na minha opinião, um passo fundamental, o acesso universal e a qualquer momento aos conteúdos. Acho ridículo que não possa aceder aos conteúdos que eu quero a partir de qualquer parte do mundo, mesmo pagando. Mas além disso também quero poder aceder a qualquer momento. Poderia enumerar imensos casos em que isso não é possível, mas não vale a pena que todos nós já passamos por isso. E podem-me dizer que hoje em dia isso já começa a ser possível, com as transmissões das séries mais populares, em Portugal, terem transmissão no dia seguinte à da sua passagem na TV americana. Mas o que eu quero é PAGAR para ver Game Of Thrones à segunda-feira depois de um dia de trabalho na minha televisão, mas sem que para isso tenha que pagar para ter televisão por cabo onde 95% dos canais nunca vou ver e em que dos canais que vejo, só uma pequena percentagem são séries/programas que algum dia verei. E por favor acabem com leis como a da Cópia Privada que não ajuda ninguém, apenas uns grupos ditos protetores dos autores.

Mas do lado dos consumidores também tem que mudar algo. Temos que pagar pelo que vemos. Se gostamos de filmes, uma ida de vez em quando ao cinema pode ser uma experiência muito boa, em que tiramos prazer e estamos a ajudar a que mais obras de arte sejam feitas. E música, por exemplo, se ouvimos o dia todo música, não custa nada subscrever um serviço de streaming em que estamos a ajudar os autores (claro que aqui também é importante que o dinheiro vá realmente para os autores e não para as produtoras como é habitual). E nas séries, com a vinda do Netflix (e desde que com conteúdos em quantidade considerável) nada como aderir.

Claro que estes serviços devem ter um preço ajustado, aos países. Eu sou apologista de que o preço a cobrar nos EUA não deva ser o mesmo que na India, onde os salários são residuais quando comparados com o EUA. Mas para para além disso, gostava que o dinheiro fosse canalizado para onde deveria e não, como muitas vezes acontece, para aqueles grupos que detêm os “direitos”, mas que mais não fazem do que sugar tudo o que podem.

E com isto termino. Consumam entretenimento e arte, mas paguem por isso. E senhores dos conteúdos, deixem-nos pagar, mesmo que isso obrigue a restruturar toda a política de “direitos”…

Até uma próxima,

Tomate da Lixa

Nel Monteiro, um homem cheio de tomates.

Tomateiros, Tomateiras!

Aviso: este texto requer muitas idas ao youtube.

Hoje venho prestar uma homenagem a um grande Senhor (sim, com letra maiúscula) que contribuiu e contribui imensamente para o nosso repertório nacional. Falo-vos de Manuel Teixeira Monteiro, nascido a 19 de junho de 1947 em Barrô, Resende. Mais conhecido e eternizado como Nel Monteiro.

“Ó Tomate de Niterói mas isso é pimba, nós não curtimos isso.” Deixem de mentir. Todo o português gosta de um bailarico. E para complementar esta minha afirmação vejam este vídeo do Salvador Martinha que tem toda a razão. (A minha parte favorita: é esta). O problema é dos conceitos e das modas.

Voltando ao que interesse, ontem tive o prazer de ouvir Nel Monteiro durante a tarde toda. E foi muito bom. Nel Monteiro tem uns sintetizadores psicadélicos nas músicas que me fazem delirar. Para mim ele criou um novo estilo de música:

o pimba psicadélico.

Começo por analisar o que é talvez o seu maior êxito: Azar na Praia, conhecem? E “Como é que eu hei-de”? Já conhecem? Pois, pois… E  permitam-me já dizer que esta música é melhor do que a “Flagrante” do António Zambujo (que conta uma história semelhante), só por causa desta parte: “E ela coitadinha muito aflita gritava“.

Mas este homem é um grande crítico! Não estou a ser irónico, ele realmente faz umas críticas políticas e a sociedade que sim senhora (iremos analisar mais à frente). Mas ele às vezes exagera e até acaba por criticar provérbios, sendo um verdadeiro expert da etimologia latina. Falo-vos disto. Ah pois é! Escorregar não é caíre! Mas Nel Monteiro não fica apenas pela etimologia latina, é expert também em capicuas, ora vejam aqui. Mensagens encriptadas nas letras! Ah grande Nel!

Voltemos agora para o apetite sexual deste Senhor que é muita, como podem deduzir da foto deste post e disto:

“Essas bolinhas que tens por debaixo do rosto, ai moreninha devem ter um belo gosto. Quando te vejo na praia descascadinha, dá-me vontade de te comer moreninha”.

Fiquei indeciso se o apetite é sexual ou só apetite mesmo. Mas este apetite até dá para freiras no convento, reparem aqui que até uma pombinha branca é envolvida. Só para rematar este apetite todo, vejam este exemplo. É assim, o amor não tem idades e sou grande defensor disso, mas um homem que vê a Sónia a nascer e andou a trocar-lhe as fraldas não é muito normal apaixonar-se por ela quando ela já é mulher. Digo eu.

E agora reparem na arte existente na dicção das suas músicas através deste pequeno exemplo: “portu (pausa) galcrido. Acabei também por descobrir que Nel Monteiro é sobrenatural. Ah pois é! Fiquem a saber que a água faz-lhe mal.

Para acabar, a grande crítica deste Senhor à sociedade portuguesa. O homem empolgou-se, é sincero e não conseguiu medir as palavras (e pede desculpas por isso) na próxima música que vos apresento. A música entitula-se nada mais, nada menos que “Puta Vida, Merda Cagalhões”. Um verdadeiro hino à desigualdade entre as classes sociais, onde o fosso entre o rico e o pobre é tão grande que o último nem tem um penico para defecar. E atenção que isto não é só criticar os males à economia portuguesa, o Nel faz questão de os explicar detalhadamente: a Expo 98, os estádios, a Casa da Música, a OTA e o TGV. E ainda se queixa que nem sorte há no Euromilhões: “pois até o Euromilões só merda me está a dar”. Eu prometo que isto é real e existe. E aqui está a prova. Ora ouçam aqui e vejam a letra aqui.

Vejo aqui uma reencarnação de Karl Marx num cantor pimba.

Agora sem ironias, este Senhor fala muito das classes desfavorecidas e à sua maneira consegue expressar as dificuldades de muita gente e ao mesmo tempo consegue alegrar a vida de muitos.

Viva o Nel!

/**********************/

O cover desta semana envolve um cantor pimba porque assim tinha de ser.

/**********************/

Não coma só tomates, coma também banana e até para a semana!

Tomate de Niterói

Partidos, Partidos everywhere…

Bons dias meus queridos amigos,

Numa semana em que o tema da Grécia reina, não vos poderia falar de outra coisa senão política, mas não da grega, porque esse tema já está demasiado batido e aposto que vocês vomitavam se ouvissem outra vez palavras como Troika, referendo ou Varoufakis.

Então, hoje vou falar de um assunto que é de interesse extremo para a nossa vida como cidadãos e para o nosso futuro político. Sim, aposto que já todos adivinharam, escolhi o Espetro Político Australiano como tema da semana. Para as duas pessoas que continuaram a ler o texto depois desta revelação, digo-vos apenas que isto pode tornar-se bem mais interessante do que aquilo que estão a pensar.

Já há umas semanas o meu colega Tomate de Niterói falou da política e dos partidos brasileiros, mas para quem achou que isso era estranho, têm que dar um saltinho à Austrália. Como um país grande que se preze, os Australianos apresentam um número e variedade de correntes políticas tão grande que se assemelha àquelas gelatarias com gelados de sabor a bacalhau. Pois bem, este assunto prendeu-me a atenção quando soube da existência de um partido com o nome Partido Australiano dos Entusiastas de Automóveis. Se pensam que isto é inventado, estão muito enganados, porque foi mesmo isso que leram. Este movimento surgiu depois de aparecerem leis naquele país contra a modificação de carros (aka tunings). Provavelmente foi isto que aconteceu “Mas então não vamos poder usar néons amarelos debaixo do carro? Qual é a lógica disto? Vou já fazer um partido”. Até podem chamar-lhes burros, mas a questão é que até funcionou porque elegeram um deputado para o Senado. Aposto que fizeram tipo Valentim Loureiro, mas em vez de oferecer eletrodomésticos, ofereceram uns popós. Ou isso, ou os australianos têm um neurónio a menos.
Mas para quem pensa que isto é um ato isolado neste país está muito enganado, porque um outro partido que quase conseguiu ter um deputado foi o Partido Australiano do Desporto que tem como visão que “cada Australiano esteja envolvido num desporto”. Eu não sei como é por aquelas terras do outro lado do globo, mas o meu avô já mal se levanta e para o pôr a fazer desporto é quase estar a obrigá-lo a partir uns quantos ossos. Se formos a ver acaba por ser uma boa forma de acabar com o envelhecimento e o aumento da população, que por acaso é o que defende o Partido Australiano da Estabilização da População. Sei que parece inventado, mas não estou a gozar. Muito provavelmente em inglês com o sotaque australiano soa muito melhor, porque em português soa só ridículo.

Mas nem por acaso, estes três partidos e mais alguns fizeram uma aliança para “possibilitar que pequenos partidos tivessem representação”. Dentro desta coligação existe, por exemplo, o Partido Australiano do Sexo. Mas não pensem que este é um bando de badalhocos que legalizar o sexo em locais públicos, zoofilia ou avisodomia (quem quiser que vá ver o que é ao google), já que é um partido que surgiu para contrariar o grande aumento da influência da religião na política e foi criado por um grupo da indústria para adultos (daí o nome). O mais engraçado é que dentro da mesma coligação podemos encontrar os Cristãos Australianos, que lutam pela representação dos valores cristãos na sociedade australiana. Não sei porquê, mas estes dois partidos parecem-me um pouco difíceis de conciliar. Já estou a imaginar porrada entre padres e atores porno nas reuniões da coligação, o que seria uma “boa” forma de publicitar a coligação. Mas pode-se sempre pensar noutro prisma, assim conseguem ser representantes de todas as ideologias existentes na população, e quando digo todas não estou a exagerar, vamos lá ver… Temos ainda o Partido dos Caçadores e Pescadores, que surgiu quando tentaram mudar a lei do porte de arma e o Partido Australiano de Pesca e do Estilo de Vida, que se opõe a quaisquer medidas que restrinjam atividades de recreação. Existe ainda o Bullet Train for Australia, que quer apenas colocar comboios de alta velocidade no país (eu voluntario-me a fazer o programa de governo para eles, é capaz de dar um bom dinheiro e gasto 5 minutos do meu tempo). E por último o Partido “Help End Marijuana Prohibition”; não deve ser difícil de perceber o que defendem, é basicamente um Bloco de Esquerda que só fala da parte mais fixe da cena. E o mais engraçado é que tem como o seu fundador uma pessoa chamada Nigel Freemarijuana (eu sei bem o que ele andou a fumar antes de mudar de nome, e não era só tabaco).

Eu se estivesse na Austrália, e como me parece que qualquer pessoa faz um partido novo, criaria o Partido contra a Estupidez Humana. Os meus ideais era pôr uma coleira no pescoço de cada pessoa que desse um choque sempre que essa pessoa debitasse parvoíces como terem a intenção de criar um partido destes. Se calhar era capaz de ser um regime um bocado ditatorial, mas para grandes males, grandes remédios.

Atenção, para não ser mal interpretado, esta última parte poderia ser um bocado suavizada se ganhasse mesmo as eleições, mas acho que perceberam a ideia.

Já agora, para quem quiser entrar na onda, que diga aí o Partido que criaria se estivesse na Austrália.

Tomate de Fraião